Os seis guitarristas favoritos de James Hetfield, do riff pesado ao downpicking
Resumo
- ▪ Em entrevista de 2009, James Hetfield citou Tony Iommi, Rudolf Schenker e Malcolm Young como seus mestres da base.
- ▪ Hetfield também listou Misfits, Ramones (Johnny Ramone) e Joe Perry, do Aerosmith, entre suas influências.
- ▪ Para ele"o riff é a carne da música", e o que une todos os nomes é força, velocidade e ganchos pesados.
Poucos vocalistas e guitarristas do metal sustentaram tanto tempo o posto que James Hetfield ocupa. Em cinco décadas, a voz rouca e os riffs do líder do Metallica se tornaram referência para o gênero.
A banda foi fundada em San Francisco, em 1981, por ele e pelo baterista Lars Ulrich. Depois de várias mudanças de formação, o grupo se firmou como pioneiro do thrash metal e como líder de fato do chamado “Big Four”, ao lado de Slayer, Megadeth e Anthrax.
O alcance do Metallica vai além do público do metal. São mais de 120 milhões de discos vendidos no mundo, um show como atração principal do Glastonbury Festival em 2014 e, agora, uma residência na Sphere. Com esse peso, o que Hetfield diz sobre música costuma ser tratado como lei pelos fãs.
Em 2009, ele listou seus guitarristas preferidos em entrevista à Music Radar. Os nomes citados foram Tony Iommi, Rudolf Schenker, Malcolm Young, Joe Perry, além de Misfits e Ramones (com destaque para Johnny Ramone).
“Meus deuses da base são Tony Iommi, Rudolf Schenker e Malcolm Young, caras que simplesmente mantêm tudo firme. Os Misfits também, e até os Ramones, com a simplicidade deles. É tudo palhetada para baixo! Veja alguns vídeos do Johnny Ramone e você vai dizer: ‘Uau!'”, afirmou.
Hetfield contou ainda que, ao começar na guitarra, mexia em tudo um pouco. “Eu testava ritmos diferentes e tentava tocar solos do Joe Perry (guitarrista do Aerosmith), mas aos poucos fui me aproximando da guitarra base, por causa de caras como Tony Iommi, Rudolf Schenker, do Scorpions, e até o AC/DC. Coisas bem baseadas no ritmo.”
Depois, segundo ele, veio o gosto pelo riff. “Para mim, é isso que faz uma música ser ótima. Se você tem um grande riff, tem uma grande música. Um cara pode fazer um solo incrível, mas se estiver em cima de um riff ruim, a música continua ruim. O riff é a carne da música.”
O que une todos os escolhidos é a força, a velocidade e o gosto por um gancho pesado, o que resume bem a abordagem do próprio Hetfield.
A admiração por Tony Iommi era esperada: é difícil achar um nome do metal que não tenha sido influenciado pelos riffs sombrios do Black Sabbath. Rudolf Schenker, do Scorpions, também inspirou os primeiros anos da cena thrash californiana, inclusive o Megadeth.
A menção a Malcolm Young, guitarrista base do AC/DC, também faz sentido. O estilo de Hetfield é uma versão mais robusta do trabalho de Young, algo claro em faixas como “Master Of Puppets” e “I Disappear”.
Os outros dois nomes apostam na velocidade, e a palhetada para baixo deles influenciou todo o metal e o hardcore punk. Hetfield não disse qual guitarrista dos Misfits o inspirou, mas a aposta mais segura é Doyle Wolfgang von Frankenstein, terceiro guitarrista da banda, presente nos discos mais importantes. O mesmo vale para Johnny Ramone, de som atemporal.
Joe Perry, do Aerosmith, talvez seja a citação mais curiosa. Seu estilo cheio de molejo é reconhecível em qualquer disco, seja na fase mais hard rock do grupo ou no material posterior, mais amplo. Há um equilíbrio no toque dele que dá fôlego aos riffs, e dá para notar de onde vem o estilo equilibrado de Hetfield, que ora assume a guitarra solo, ora a base, sempre pensando na música.
No Metallica, Kirk Hammett está na guitarra solo desde 1983 e costuma levar os elogios, enquanto o trabalho de Hetfield na base passa meio despercebido, apesar de ser decisivo para a banda. É a sina dos guitarristas base. Hetfield, ao menos, dá a eles o devido reconhecimento, e sua lista merece ser estudada por quem quer seguir seus passos.