Por que o Type O Negative usava verde neon em logos e capas, segundo Kenny Hickey
Resumo
- ▪ Kenny Hickey explicou no podcast HardLore por que o Type O Negative adotou o verde neon no logo e nas capas.
- ▪ O símbolo do O com sinal negativo surgiu na Negative Night, no clube L’amour, antes do nome Type O Negative.
- ▪ A banda passou por New Minority, Repulsion e Sub-Zero antes de escolher o nome definitivo.
O verde berrante que marcou o logo e as capas do Type O Negative não era só questão de gosto. O guitarrista Kenny Hickey, que lançou recentemente um álbum novo com o Silvertomb, destrinchou a história do nome, do símbolo e da paleta de cores da banda no podcast HardLore.
Segundo Hickey, Peter Steele, vocalista e baixista, fazia questão de que o grupo se destacasse na movimentada cena de rock e metal de Nova York. Ele detestava a geração de músicos que subia ao palco com camisetas de outras bandas. “Ele (Peter Steele) odiava toda aquela geração em que os caras subiam ao palco usando camisetas de outras bandas de rock”, contou. “Ele não suportava. Dizia: ‘Isso é palhaçada. Você é músico. Tem que ter uma imagem. Tem que haver algo que identifique e separe você.'”
Na avaliação do guitarrista, isso vinha em parte do desprezo de Steele por bandas que ele via como “concorrência”. Daí a vontade de criar uma identidade própria. “Com ele era sempre assim: se íamos montar uma banda, primeiro tínhamos de achar um nome, é claro, e era preciso ter um símbolo diretamente ligado à banda para ser identificado na hora, e ainda uma barra de cor.”
O verde quase neon entrou nessa equação. Estava no logo e dominou a arte do primeiro álbum “Slow Deep and Hard”, definindo em boa parte o tom do restante do catálogo. A reedição de 1994 de “The Origin of Feces” trocou o traseiro peludo de Steele por uma versão em verde brilhante da pintura “Dança da Morte”, do fim do século 15.
Hickey atribui a Steele a ideia de usar o tom em tudo, mas faz questão de dizer que não era porque o amigo achasse a cor bonita. O verde foi além das capas e camisetas: chegou à sala de ensaio que Hickey, ex-carpinteiro sindicalizado, construiu no porão do baterista Sal Abruscato.
Steele ficou encarregado de pintar o espaço, com tinta que levou do emprego no departamento de parques de Nova York. O resultado não foi dos melhores. “Lembro que a contribuição do Peter foi pegar uma tinta bem barata, de um verde-oliva meio vômito, do departamento de parques. Era muito úmido lá embaixo, ele pintou as paredes de verde e nunca secou. Um ano depois, você encostava na parede e saía verde”, relembrou.
Outro detalhe curioso é que o símbolo veio antes do nome. O logo, um O com um sinal de negativo no meio, nasceu de um “domingo de hardcore” criado por Steele no L’amour, clube de metal do Brooklyn, chamado de “a capital do rock do Brooklyn” até fechar as portas, em 2004. “O Peter era quem estava por trás, organizando tudo, e chamou de Negative Night. Fizeram cartazes com o símbolo negativo. Foi de lá que ele pegou e levou para esta banda.”
Com o símbolo definido, faltava o nome. Primeiro veio New Minority, depois, no ano seguinte, Repulsion. Ao descobrirem outra banda com esse nome, adotaram Sub-Zero, e o problema se repetiu meses depois, o que levou ao nome definitivo, Type O Negative. “Escolhemos Sub-Zero para combinar com o símbolo e aí descobrimos que estávamos sendo ameaçados de processo.”
Para Hickey, o esforço valeu a pena. “É importante entender que as ideias do Peter sempre eram movidas pela originalidade. Ele queria fazer coisas que ninguém tinha feito e que ninguém queria fazer, nas palavras dele.”


