Pôsteres do álbum “Fenian” do Kneecap foram censurados pela TfL em Londres

Marcelo Scherer
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Marcelo Scherer
Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate...
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Kneecap. 2026. Charles McQuillan/Getty Images
Por que isso importa?

Para os fãs do Kneecap e amantes da música com mensagem, a censura dos pôsteres de “Fenian” pela Transport For London levanta questões importantes sobre liberdade de expressão e identidade cultural. O grupo irlandês de hip-hop, conhecido por abordar temas políticos e sociais, utiliza a palavra “Fenian” para ressignificar um termo histórico, transformando um antigo insulto em um símbolo de união.

Este episódio reforça a relevância de artistas que usam sua plataforma para desafiar narrativas e promover discussões, mostrando que a arte pode ser um campo de batalha cultural. Para o público que acompanha a banda, a polêmica apenas sublinha a autenticidade e a coragem do Kneecap em sua luta pela preservação da língua e da história irlandesa.


O trio irlandês de hip-hop Kneecap teve os pôsteres de seu novo álbum, “Fenian”, censurados pela Transport For London (TfL) em Londres. A empresa de transporte inicialmente recusou os anúncios que continham a palavra “Fenian” e uma citação do primeiro-ministro, alegando imparcialidade política, conforme revelado pelo empresário da banda, Daniel Lambert, em 5 de maio de 2026.

O álbum “Fenian” foi lançado em 1º de maio e é o segundo do grupo, sucedendo “Fine Art” (2024). O disco conta com colaborações de Kae Tempest, Radie Peat e Fawzi, e inclui singles como “Irish Goodbye” (que já abordamos em Móglaí Bap do Kneecap fala sobre a nova música “Irish Goodbye” e o suicídio da mãe), a faixa-título “Fenian”, “Smugglers & Scholars” e “Liars Tale”, que criticou o primeiro-ministro Keir Starmer.

Daniel Lambert afirmou que os pôsteres originais, que exibiam a arte do álbum, o título em destaque e citações de críticas positivas – incluindo uma do PM que classificava o trio como “completamente intolerável” (via NME) – foram rejeitados pela TfL. Isso forçou a equipe a enviar versões modificadas, censurando tanto a palavra “Fenian” quanto o nome do primeiro-ministro.

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Em resposta, a TfL declarou ao Belfast Telegraph que só havia recebido a versão censurada dos pôsteres e não solicitou alterações. No entanto, Lambert contestou essa afirmação, compartilhando capturas de tela no X/Twitter (veja aqui e aqui) de um e-mail em que a TfL comunicava que “não permitiria a palavra FENIAN” por considerar que “todos os anúncios devem ser completamente imparciais e não políticos de qualquer movimento”.

A palavra “Fenian” refere-se aos revolucionários irlandeses do século XIX que buscavam a independência do domínio britânico. Embora o termo tenha sido usado como um insulto, o Kneecap o ressignifica no álbum, abraçando sentimentos de irmandade e comunidade. Em entrevista à NME, Móglaí Bap explicou que o termo “originalmente veio do folclore irlandês” e foi “reaproveitado para várias rebeliões” antes de se tornar um “insulto depreciativo para nacionalistas irlandeses”. A banda busca reverter essa conotação, usando a linguagem como uma ferramenta de poder.

“Fenian” recebeu uma avaliação de quatro estrelas e meia da NME, que o descreveu como “um álbum sólido, progressivo e destemido de um grupo que poderia facilmente estar apenas brincando em vez de fazer música que importa”. O trio está atualmente disputando o topo das paradas de álbuns do Reino Unido, competindo com Melanie C e Michael Jackson.

O Kneecap tem uma série de shows agendados no Reino Unido e na Europa neste verão, incluindo uma apresentação em Crystal Palace Park, Londres, em junho – seu maior show como atração principal até o momento – e participações em festivais como Primavera, Open’er, Roskilde e Reading & Leeds.

(Via: NME)

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