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Quem toca sitar em “Paint It Black”, dos Rolling Stones, e por que o instrumento mudou a canção

5 min de leitura
The Rolling Stones.
The Rolling Stones. — Foto: AP/J. Maum.
Resumo
  • ▪ Brian Jones toca o sitar de "Paint It Black", lançada pelos Rolling Stones em 1966.
  • ▪ O instrumento chegou meses depois de George Harrison usá-lo em "Norwegian Wood", dos Beatles.
  • ▪ Jones também tocou saxofone em "You Know My Name (Look Up the Number)", dos Beatles.

A resposta é Brian Jones. O sitar que serpenteia ao fundo de “Paint It Black”, lançada pelos Rolling Stones em 1966, saiu das mãos do fundador da banda, e a escolha do instrumento diz muito sobre a rivalidade com os Beatles.

Boa parte dos melhores sons dos Stones nos anos 1960 nasceu como resposta ao que os amigos de Liverpool faziam. Nem Mick Jagger nem Keith Richards olham com carinho para todos esses momentos, mas é fácil entender por que a disputa era tão equilibrada. As duas bandas tinham compositores de primeira linha. A diferença estava no uso dos instrumentos nos clássicos de cada uma.

No início, os Stones eram uma banda de covers de blues competente e não tinham pressa de escrever material novo. Ao ver o que os Beatles faziam, perceberam que havia espaço para algo mais ambicioso do que revisitar Muddy Waters. Não iam escrever baladas açucaradas como as de Paul McCartney, mas podiam transformar “I Wanna Be Your Man” em algo mais perigoso. Ainda assim, ouvir um sitar num disco pop ocidental era algo inédito.

George Harrison estava cada vez mais encantado com a música indiana, e o sitar foi sua forma de mostrar isso. “Norwegian Wood” já seria boa sem ele, mas o que a destaca, além das letras brilhantes de John Lennon, é o sabor oriental dado pelo instrumento de Harrison. Poucos meses depois, os Stones também colocaram as mãos em um.

Para uma canção toda sobre clima sinistro, o sitar em zumbido constante funciona muito bem. O riff se apoia quase todo num único acorde, e como muitos ragas indianos são baseados em um acorde só, era mais simples subir e descer a escala do que resolver o que aconteceria se o acorde mudasse no meio da música.

Com Jagger e Richards ganhando cada vez mais protagonismo, o sitar também deu a Brian Jones algo para fazer. Ele havia fundado a banda e, mesmo que ela não tivesse virado a grande banda de blues rock que imaginava, sentia que podia oferecer mais do que ser um bom guitarrista solo. “Paint It Black” foi só o começo.

Muitos dos discos mais importantes que o grupo faria depois vieram de testar qualquer instrumento que ele pudesse imaginar. Jones queria se levar ao limite em cada trabalho e, mesmo quando os Stones não tinham muito uso para ele em alguns sucessos, achou espaço para tocar com os Beatles: contribuiu com saxofone em “You Know My Name (Look Up the Number)”, perto do fim da convivência entre as bandas.

Jones não viveria muito além do fim dos anos 1960. Considerando o que ele começou ao aprender instrumentos como o sitar, é curioso imaginar para onde o grupo poderia ter ido com mais participação dele. O que se viu foi a banda seguindo o próprio caminho, enquanto um de seus grandes guitarristas saía com o ego em frangalhos e o coração musical partido.

Autor

  • Luis Fernando Brod

    Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a história por trás de álbuns lendários e dissecar a trajetória de ícones da música nas décadas de 70, 80 e 90. No Disconecta, assina reportagens especiais, retrospectivas e a cobertura diária do rock internacional. Criador do canal no youtube Minha Vida em Vinil onde cobre música e colecionismo em mídia física.

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