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Don’t ask any more stupid questions

O ano era 1980 e era o começo de uma nova era. Pra uns uma década perdida. Pra outros uma década inesquecível. Eu (assim como muitos outros) acho que os anos 80 foram a melhor década da história. Talvez porque faço parte de uma geração “perdida” em alguns aspectos. Mas confesso que não me arrependo de nada.

E nos anos 80 vi surgir muita coisa legal: brinquedos, jogos, brincadeiras, seriados, novelas, filmes (quantos filmes), Michael Jackson entre tantas outras lembranças que se for enumerar passaria um bom tempo. Bem, para o mundo da música não foi diferente. Muitas bandas boas surgiram nos anos 80. Outras nem tanto assim. Pro BRock o Circo Voador foi uma peça fundamental. Lá surgiram bandas como Barão Vermelho, Blitz, Paralamas do Sucesso. Indo um pouco mais acima no mapa e chegando em Brasília, tínhamos o expoente Punk brasileiro, encabeçado pela Aborto Elétrico, que mais tarde se tornaria Legião Urbana e Capital Inicial, assim como a Plebe Rude. No fim do mapa, lá no Rio Grande do Sul surgiriam grupos como Cascavelettes, TNT, Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós.

E no resto do mundo um milhão de bandas surgiriam. E em 1980 surgiria em Bradford, Inglaterra uma banda formada por um militante esquerdista de nome Justin Sullivan, a New Model Army, que é muito cultuada e é um dos grandes expoentes que o pós punk inglês produziu. Com uma combinação de letras politizadas e folk rock de protesto, o NMA soava como poucas bandas surgidas na mesma época e no mesmo estilo. Era um rock revolucionário.

O som era poderoso, invovador, mas aos poucos foi esmorecendo, sem perder a qualidade, dando lugar para violões, violinos e harmônicas, deixando um pouco o punk de lado e caminhando mais a fundo no universo folk, misturando letras políticas, muitas vezes vistas como esquerdistas e anti-Thatcher (Margareth Thatcher, primeira-ministra britânica na década de oitenta), com momentos de introspecção.

Crédito: Divulgação

Enfim o sucesso

Mesmo sendo uma banda com sucesso de público e crítica, nunca conseguiu o merecido reconhecimento. Este álbum veria o NMA levar seu som além de sua missão habitual e veria a maior mudança no som da banda desde seu início. Thunder and Consolation leva a banda em uma direção diferente ao adicionar um elemento folk à música do NMA, o que pode ser visto com a ênfase de Justin Sullivan usando um violão, além da adição de teclados para preencher o som, que anteriormente estava cheio de distorção. Além disso, esse som folk é introduzido mais na mixagem por Ed Alleyne-Johnson, que se juntou à banda no violino.

Este é um álbum que dificilmente parece derivado de qualquer outro artista por aí, com cada música trazendo suas próprias ideias e motivos para a mesa. A letra de abertura quase falada complementa a introdução gentil e ponderada de Archway Towers antes da introdução de algumas lindas guitarras solo que apenas aumentam o sentimento de melancolia evidente à medida que os vocais se tornam cada vez mais tensos.

No extremo oposto do espectro está a favorita dos fãs, Green and Grey, uma música que tem um impacto diferente de qualquer outra em toda a discografia da banda. A música leva um momento para desaparecer, antes que a melodia acústica mais suave, porém pensativa, conduza ao verso. Durante este primeiro verso, Sullivan canta, antes da bateria entrar em ação e a música se tornar uma fera completamente diferente, com acordes mais pesados ​​soando à medida que avança, e então os riffs diferentes a mantêm interessante e relevante. Acho necessário mencionar neste momento que esta é a porta de entrada perfeita para quem não conhece a banda.

Com Thunder and Consolation o NMA atingiu o ápice, o trabalho duro que a banda havia feito anteriormente estava colhendo dividendos culminando neste álbum. Sim, certamente se distancia do som anterior da banda, mas com isso, o NMA se estabelece em um som que definiria o restante de sua carreira.

Crédito da imagem destacada: Divulgação

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