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Em novo álbum, DIIV retorna ainda mais melancólico, niilista e com críticas ao capitalismo

DIIV é definitivamente uma banda desprendida da necessidade de aceitação junto ao mainstream, pelo contrário, quanto mais originais, sarcásticos, críticos, avessos às estéticas conceituais e pré-moldadas atuais, mais requisitados e aclamados pela crítica convencional (vide os “Regis Tadeus” descolados da Pitchfork) eles se tornam.

Até aqui nenhum problema em dialogar com o mainstream, bandas como Idles e Turnstile estão furando esta bolha e dialogando com novas gerações através da estética sonora e conceitual. Sem perder o conteúdo crítico e o espírito DIY do punk, por exemplo, e abrindo um caminho muito próspero para bandas que estão vindo a seguir. Grupoa como Title Fight, Alvvays, Turnover e Citizen bateram na trave e quase chegaram lá, não cabe aqui dizer se isso foi bom ou ruim, embora isso não tenha lá tanta relevância por se tratar de bandas incríveis e que continuaram confortavelmente grandes dentro do indie e do underground. Aliás, continuam até hoje nesse mesmo status, com exceção do Title Fight que se encontra em um hiato por tempo indeterminado após o maravilhoso Hyperview lançado em 2015.

Zachary Cole Smith cumpre todos os requisitos que um bom rockstar (por mais cafona que esse termo soe) precisa ter, lembrando muito Kurt Cobain em seus tempos de Nevermind onde desprezava e odiava a MTV, enquanto a própria MTV, por mais irônico que isso possa parecer, o idolatrava e o vendia como um produto, uma espécie de antídoto para o seu próprio veneno, a fábrica de bandas grunge que a emissora se tornou nos meados dos anos 90 onde toda nova banda deveria soar como o Nirvana
(e eles ficaram presos lá, buscando esta banda até hoje).

Banda Diiv. Crédito: Coley Brown
Foto: DIIV. Crédito: Coley Brown.

Após a prisão por posse de heroína em 2013, entradas e saídas da reabilitação e a expulsão de um membro fundamental da banda por comentários racistas na internet, a banda se separou por um tempo indeterminado até que em 2019, reaparecendo com Deceiver, um álbum aclamado pela crítica mas estética e sonoramente confuso para o público, embora mantenha fiel as características da banda e esteja muito longe de ser considerado um álbum ruim, muito pelo contrário, apenas ficou visível a busca de uma nova “liga” com a formação nova.

DIIV ressurge em 2024 com Frog in Boiling Water, um trabalho ácido e melancólico no seu nível mais elevado, Zach definitivamente aprendeu a jogar o jogo, descobriu como lidar com seus sentimentos e sabe muito bem o que e para quem está falando. Trata-se claramente de uma pessoa lidando com seus conflitos, com o incômodo e os desafios de ser um indivíduo dentro de uma sociedade, com uma critica amarga ao capitalismo e toda sacanagem criminosa que ele produz.

A banda, mais do que nunca, segue abusando das camadas de reverb, de vocais cada vez mais distantes e com guitarras ambientes cada vez mais arrastadas e fúnebres, Zach busca soar sombrio e lúgubre em algumas faixas, como a carismática e triste Reflected. DIIV nos deixa nítida a impressão de busca em traduzir sentimentos até então desconhecidos nos álbuns anteriores, como quem busca o interruptor em um quarto escuro e frio e precisa desesperadamente da luz pra sair de onde está, em Frog in Boiling Water, Zach sabe de onde todos esses sentimentos vieram, ele finalmente achou de onde vem a corda em seu pescoço, e de onde vem toda sua angustia, podemos ouvir “Os sistemas falham e os impérios caem” ele sussurra num pranto niilista e desacreditado em Fender On The Freeway.

“Frog” é um album denso e complexo com melodias simples, embora muito revelador, trazendo um compositor muito mais lúcido em suas composições, embora descrente de algum ponto de retorno em meio ao caos tecnológico e toda desesperança online dos dias atuais e todo o lixo hi-tech que somos obrigados a engolir na palma de nossas mãos cotidianamente. As texturas sonoras e os reverbs nos ajudam e sentir e a quase tocar nesse sentimentos, trazendo num pano de fundo musical a sensação controversa de uma angústia quase confortável, logo na primeira música, a melancólica e arrastada In Amber nos apresenta o cenário denso e sombrio pelo qual iremos passear pelos próximos 43 minutos.

Outra faixa que merece destaque também é, Little Birds, uma voz encantadoramente vazia e triste em meio à ambiência de reverbs e texturas do shoegaze puro e simples e encantador como sempre, as guitarras ocupam um espaço perfeito deixado em meio ao eco deixado pela atmosfera sombria e dançante das melodias.

Frog in Boiling Water é uma obra profunda e fria, é um quadro em ciano. Ele consegue ser assustador e encantador ao longo dos seus pouco mais de 43 minutos, e é preciso ser uma banda muito madura e segura de si mesma pra se arriscar em uma viagem tão perigosa. DIIV chegou no seu ápice, por mais perigosa que seja essa afirmação, ainda mais depois de três grandes discos, mas o mais importante é a ausência do medo em não se repetir, em não ter receio de andar pelo desconhecido, de não saber lidar
com o que se sente.

Assista abaixo o clipe de Brown Paper Bag do DIIV

Ouça abaixo Frog in Boiling Water, novo álbum do DIIV

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