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30 anos de Dookie do Green Day

Lá se vão 30 anos desde que Dookie do Green Day ganhou o mundo. O disco foi lançado dia 01 de fevereiro de 1994, de lá pra cá a banda passou por muitas mudanças em sua música, os membros continuam os mesmos, mas aqueles moleques esquisitos cresceram e evoluíram juntos.

É inegável que Dookie foi um marco na carreira da banda, e que a partir dele, toda uma geração mudou seus holofotes do triste e depressivo grunge para o ensolarado mas não menos contestador pop punk do Green Day.

A entrada de Dookie no mercado

O momento era propício, o som da época era o grunge que também derivou do punk e que poucos meses após o lançamento de Dookie via seu maior expoente tirar sua vida.

Confesso que nos anos 90 quando essa onda de hardcore melódico pintou por aqui, eu torci o nariz, afinal, eu era um jovem metido a metaleiro e sonoridades mais pop não faziam a minha cabeça.

Acontece que o hardcore californiano tomou de assalto a melancolia do grunge, e além dessa cena, o pop punk liderado pelo Green Day assumiu as paradas. 

Foi com certeza um momento de troca geracional, se pensarmos sonoramente, a minha geração que nasceu no fim dos 70 e início dos 80 foi influenciada demais mais por bandas dos anos 70. Já os millennials, ou chamados de geração y, estavam entrando na puberdade e começavam a ditar a regra mercadológica jovem.

Resenha Dookie do Green Day

Para se ter ideia da importância de Dookie para o cenário musical, em 2014 a revista Rolling Stone colocou o álbum no top 40 de melhores discos lançados em 1994.

Particularmente o disco pega o top 10, visto que temos o álbum Superunknow do Soundgarden por exemplo, mas isso é papo pra outra discussão.

Voltando ao álbum, Dookie é um disco realmente interessante, mesmo hoje que muitos de nós fomos bombardeados por músicas radiofônicas como Basket Case, When I Come Around, She, Longview, Welcome Paradise e Bournout.

Ter tanta música tocada a exaustão em rádios e MTV é a prova que o grupo acertou a mão, poucas bandas conseguem tal façanha.

Liricamente Dookie é sobre as experiências pessoais de seus membros que naquela época ainda eram jovens e os temas transitavam sobre  ansiedade, ataques de pânico, masturbação, orientação sexual, tédio e ex-namoradas.

O disco começa com pé na portal, um riff energético de de Burnout, liricamente o tema fala sobre se sentir entediado e não ter o que fazer, o refrão pegajoso como só eles conseguem fazer.

Having a Blast, hoje a minha favorita do disco, tem um riff bem interessante e as melodias vocais incrivelmente bem montadas, um refrão que fecha o círculo musical e retorna ao riff inicial. A letra relata sobre relacionamento que não deu muito certo.

A seguinte Chump também é outra empolgante com refrão muito legal, bateria e baixo se conversam no meio da música dando uma dinâmica diferente até aqui.

Falando em baixo e bateria conversando, Longview é envolvente de início por esses dois instrumentos criando um groove e loop onde o vocal de Amstrong encaixa como uma luva, não é à toa que foi escolhida como primeiro single. A letra fala maconha, tédio e o tédio e masturbação, não necessariamente nesta ordem.

Como são legais as melodias vocais de Armstrong e suas linhas de vocais prova disso é Welcome to Paradise a música seguinte do disco. Segundo single, a música fazia parte da Kerplunk do segundo álbum da banda. Em Dookie, ela ficou mais polida, mas isso não fez dela uma faixa ruim, pelo contrário a música ganhou mais vida com menos distorção e uma produção melhor.

Pulling Teeth tem uma progressão de guitarras muito interessante, pop na essência lembra um pouco do bubble gum dos anos 60. Refrão maravilhoso como a maioria das músicas, ela é bem ensolarada.

A próxima é o hino da banda e da geração que cresceu ouvindo o Green Day, Basket Case, confesso que hoje ela me cansa, isso se deve ao fato de ter sido tocado à exaustão. Isso faz dela uma canção ruim, de forma alguma, ela é empolgante do início ao fim, além das guitarras e vocais de Armstrong vale ressaltar a bateria com ótimas viradas de Tré Cool, a letra relata as crises de ansiedade do vocalista e o clipe foi gravado em um sanatório abandonado.

She é outro single da banda muito tocada em rádios e MTV, o riff do baixo de Mike Dirnt é reconhecido a quilômetros de distância, outro hino pra conta do trio. A letra fala do relacionamento de Billie na qual sua ex-namorada teria compartilhado um poema feminista de mesmo título com ele. 

Sassafras Roots é mais uma pegajosa do álbum, talvez não tanto com o singles, mas mesmo assim vale destacar pois possui tudo que o Green Day traz em suas composições, ótimos riffs, linhas vocais chicletes e uma cozinha competente.

Chegamos ao terceiro hino do disco e último single a ser lançado, When I Come Around é daquelas faixas inspiradas. Aqui o tem lírico fala novamente de mulher e relacionamento, desta feita sobre sua esposa que deu um tempo no relacionamento com Billie.

Coming Clean relata os anseios de um jovem de 17 anos sem a compreensão dos pais. Mas no meio de tantas músicas boa, ela passa despercebida, não é uma faixa ruim, apenas não tem o brilho de seus hits.

O mesmo pode se dizer de Emenius Sleepus, ótimo refrão, ótimo riff, mas da anterior em diante a coisa começa a cansar pela repetição da fórmula do álbum, apesar de que Emenius Sleepus ainda tem um break de baixo e batera bem interessante no meio da música o que dá um dinamismo diferente pra ela.

In The End é hardcore puro, o ponte pro refrão é aquela bateria cavalgada que o estilo proporciona, a letra é sobre sua mãe e seu padrasto.

F.O.D. é melodia pura, uma linha linda de vocal cantada ao violão, talvez por isso seja um pouco diferente, quando entra os instrumentos tradicionais guitarra, baixo e bateria os arranjos fogem um pouco das outras músicas do álbum, o que pessoalmente acho uma vantagem.

E finalizamos com a faxia escondida e mais maluca do disco All by Myself, o que parece uma grande diversão da banda no estúdio.

Dookie é um álbum especial que sobreviveu a prova do tempo e amadureceu super bem, é claro que os músicos eram jovens e as letras giram em torno deste tema, mas é sempre bom ouvir um disco como esse 30 anos depois e claro, com outra cabeça e desprovido de preconceitos.

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