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Yes – Perto da perfeição

Close to the Edge, lançado em 1972, não é apenas um álbum emblemático na discografia do Yes, mas também um marco no gênero do rock progressivo. O processo de criação deste álbum é um complexo mosaico de inovação, experimentação e expressão artística, exemplificando a ambição e o espírito criativo do início dos anos 70.

A concepção de Close to the Edge começou logo após o lançamento do álbum anterior do Yes, “Fragile”. Jon Anderson e Steve Howe, impulsionados por suas aspirações artísticas, começaram a esboçar ideias que desafiavam as convenções do rock. Eles buscavam uma fusão de influências: do rock clássico e jazz à música clássica e sons orientais, o que se refletiria nas complexas estruturas harmônicas e rítmicas do álbum.

As sessões de gravação, que ocorreram no Advision Studios, foram marcadas por um ambiente de experimentação. A faixa-título, Close to the Edge, ilustra isso de forma notável. Composta por múltiplas seções que fluem sem interrupção, a faixa apresenta uma complexidade incomparável, com mudanças de tempo, harmonias intrincadas e uma mistura de instrumentação eletrônica e acústica. A letra da música, inspirada no livro “Siddhartha” de Hermann Hesse, reflete uma jornada de autodescoberta e espiritualidade, um tema recorrente no trabalho do Yes.

O engenheiro de som Eddy Offord desempenhou um papel crucial, ajudando a orquestrar as ambiciosas visões da banda em realidade sonora. As técnicas de gravação eram avançadas para a época, com a banda empregando overdubs extensivos e experimentação com sintetizadores e efeitos de estúdio. Cada membro contribuía com suas habilidades distintas, desde os riffs de guitarra de Howe até os solos de teclado de Wakeman, o baixo melódico de Squire e a percussão complexa de Bruford.

A capa do álbum “Close to the Edge”, criada por Roger Dean para a banda Yes, representa uma abordagem visual distinta, marcada pela simplicidade e simbolismo. Ela se afasta das capas mais vibrantes e complexas normalmente associadas ao Yes, optando por um fundo predominantemente verde e uma estética mais abstrata e focada em padrões naturais. Este design reflete a complexidade e profundidade da música do álbum, que, apesar de tecnicamente elaborada, é apresentada de forma direta e sem excessos. Segundo o próprio Roger Dean, o verde predominante e os padrões orgânicos na capa simbolizam crescimento, renovação e uma conexão profunda com o natural e o espiritual, temas frequentemente explorados nas letras e na música do Yes.

Apesar de sua simplicidade relativa, a capa de “Close to the Edge” mantém um lugar significativo na história do design de capas de álbuns devido à sua abordagem única e ao fato de ser um trabalho de Roger Dean, cujas criações são altamente reconhecidas e valorizadas tanto por fãs de arte quanto de música. A capa continua a ser um elemento visual icônico para os fãs do Yes e do gênero rock progressivo.

Apesar de sua complexidade e inovação, Close to the Edge alcançou um sucesso comercial significativo, solidificando a reputação do Yes. A resposta crítica foi igualmente positiva, com muitos considerando o álbum não apenas o auge da banda, mas também um dos álbuns mais influentes do rock progressivo.

Curiosidades

Bill Bruford deixou o Yes para se juntar ao King Crimson logo após a conclusão do álbum, um testemunho das tensões criativas e do desejo de exploração musical.

Close to the Edge foi um dos primeiros álbuns a ser lançado em uma capa de gatefold, que se abria como um livro, oferecendo aos fãs uma experiência visual mais imersiva. O álbum influenciou gerações de músicos e bandas, estendendo-se além do rock progressivo para outros gêneros musicais.

Uma curiosidade é a forma que as músicas desse disco são definidas. Apesar se ter a indicação de apenas 3 faixas, as duas primeiras são divididas em 4 movimentos cada.

  • 1 – Close to the Edge
    • I. The Solid Time of Change
    • II. Total Mass Retain
    • III. I Get Up I Get Down
    • IV. Seasons of Man
  • 2 – And You and I
    • I. Cord of Life
    • II. Eclipse
    • III. The Preacher the Teacher
    • IV. Apocalypse
  • 3 – Siberian Khatru

A turnê de Close to the Edge foi uma das mais ambiciosas da época, com a banda replicando as complexidades do álbum ao vivo, um feito raramente tentado por outras bandas.Close to the Edge permanece como um testemunho da criatividade e do espírito inovador do Yes, uma cápsula do tempo da era dourada do rock progressivo, e um legado duradouro na história da música. Uma obra-prima sem dúvidas

Autor

  • Julio Mauro

    Júlio César Mauro é aquele típico nerd e pai de duas meninas, que tem seu jeito único – um pouco rabugento e com TDA. Não deu certo na música, mas encontrou seu caminho na TI, onde está há uns 26 anos. O cara é conhecido por não ter papas na língua e por um senso de humor bem afiado, que nem todo mundo entende. Já rolou até uma fase de co-apresentador no programa Gazeta Games na Rádio Gazeta de São Paulo, mostrando seu lado gamer. E, claro, a música? Continua sendo uma das suas grandes paixões.

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