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Rick Rubin compara linguagem natural em IA ao espírito do punk rock

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
20 de junho de 2025 5 min de leitura
Rick Rubin. Foto: Tristar Media/Getty Images.
Foto: Divulgação

Ao lançar um livro interativo criado com inteligência artificial, Rick Rubin traçou paralelos curiosos entre música e programação. Para o produtor, dar comandos à IA em linguagem natural lembra a energia direta do punk rock.

A comparação surgiu durante entrevista ao podcast The Ben & Marc Show, dos investidores Ben Horowitz e Marc Andreessen. “Você não precisa de técnica, só de uma ideia e vontade de expressá-la”, disse Rubin no episódio de maio.

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O livro se chama “The Way of Code: The Timeless Art of Vibe Coding” e foi escrito em parceria com o chatbot Claude. A proposta combina ensinamentos inspirados no Tao Te Ching com experimentações digitais baseadas em “codificação de vibração”. O termo se refere ao uso de linguagem natural para gerar comandos em IA, sem necessidade de escrever código tradicional. Segundo Rubin, isso democratiza o processo criativo, assim como o punk fez com a música nos anos 1970.

Rubin explica que a codificação de vibe permite transformar uma ideia bruta em algo tangível sem grandes barreiras técnicas. “Com o punk, bastavam três acordes. Com a IA, basta saber o que se quer e formular isso em palavras”, afirmou. Ele conta que conheceu o conceito por acaso, após virar meme em uma postagem sobre esse tipo de codificação. A curiosidade inicial virou pesquisa e, depois, resultou no projeto do livro em parceria com a ferramenta da Anthropic.

No entanto, Rubin não acredita que a IA substitua artistas ou autores. “A razão pela qual recorremos aos artistas é o ponto de vista. E a IA não tem um ponto de vista”, declarou. Para ele, a tecnologia funciona como apoio: acelera processos e testa ideias, mas não substitui a autoria. “É mais um processo de modelagem do que de criação”, resumiu o produtor, conhecido por trabalhar com nomes como Metallica e Johnny Cash.

Além do texto, o livro permite que leitores editem animações ao longo da leitura, interagindo com a IA. Na prática, o sistema exige abrir janelas extras e aguardar longas execuções, com resultados nem sempre funcionais. Segundo reportagem da Consequence, o processo revela limitações técnicas, mas também abre espaço para experimentações. Ainda que os recursos sejam instáveis, a proposta reforça a busca por novas linguagens entre arte, código e pensamento.

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Rubin diz que a codificação de vibração pode gerar repetições, como toda nova tecnologia. “Veremos animações parecidas com desenhos populares e, depois, milhares fazendo o mesmo”, afirmou no podcast. Apesar disso, ele acredita que o valor está em testar os limites da ferramenta, não em reproduzir padrões. “Quero ver tudo o que ela pode fazer, e não só repetir o que já foi feito”, concluiu.

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