Roger Waters rebate David Draiman e o chama de ‘porco nazista racista psicótico’

Marcelo Scherer
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Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate...
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Roger Waters. and David Draiman. Jim Dyson/Getty and Jo Hale/Redferns

Roger Waters, cofundador do Pink Floyd, respondeu duramente a David Draiman, vocalista do Disturbed, após ser acusado de “traição massiva” aos judeus. Waters chamou Draiman de “porco nazista racista psicótico” em uma publicação no X (antigo Twitter) em 16 de abril.

A polêmica teve início quando Draiman participou do podcast “The Magnificent Others”, apresentado por Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, para discutir o conflito Israel-Palestina. No programa, Draiman, que é judeu e pró-Israel, afirmou que ameaçou socar Roger Waters, conhecido por sua postura pró-Palestina, caso se encontrassem.

Durante o podcast, Corgan sugeriu que a perda do pai de Waters na Segunda Guerra Mundial poderia ser “o momento decisivo” em sua vida, tornando-o “hipersensível” ao conflito. Draiman concordou, mas acrescentou: “Eu cresci ouvindo Pink Floyd. Eu amava Pink Floyd. Foi uma traição tão massiva, não só para mim, mas para os judeus em todos os lugares, quando ele tomou a direção que tomou. E não foi há apenas dois anos; ele faz isso há muito tempo. Roger tem uma queda por ditadores – as piores pessoas do planeta Terra, Roger se aconchega a eles. Ele não tem problema algum.” Questionado por Corgan se conversaria com Waters, Draiman respondeu: “Eu teria que socá-lo primeiro, mas sim.”

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Em sua resposta no X, Waters se dirigiu diretamente a Corgan: “Alguém me enviou a participação desse sujeito no seu podcast. Eu nunca tinha ouvido falar dele. De qualquer forma, parece que ele ouviu falar de mim. Parece que ele tem um problema com a minha defesa dos direitos humanos, especialmente os direitos humanos dos meus irmãos e irmãs em Gaza que estão sendo massacrados em um genocídio pelas forças armadas do estado pária, nazista e racista de Israel.”

Waters continuou: “Você, sendo o sujeito adorável que é, deu a essa ‘pequena merda’ a chance de esclarecer ou até mesmo modificar sua posição. Ele o fez. Ele é um porco nazista racista psicótico… Disseram-me, Billy, que ele escreve mensagens em bombas antes que as Forças de Defesa de Israel as joguem sobre civis em Gaza. Não precisa dizer mais nada.” Ele finalizou afirmando que continuará a “exigir direitos humanos iguais para todos os seres humanos, independentemente de sua religião, etnia ou nacionalidade.”

Draiman, por sua vez, respondeu a Waters também no X: “E aqui eu estava aberto ao diálogo, mesmo com alguém com quem discordo tão profundamente. É decepcionante, mas previsível. Seja corajoso, Roger. Benditos sejam os pacificadores, certo? Estou sempre disposto a tentar. Todos nós devemos continuar a tentar. Mesmo com você.”

Não é a primeira vez que Draiman critica Waters. Em 2024, ele o descreveu como “antissemita até sua medula podre”. Antes disso, em 2019, Draiman condenou Waters e seus “camaradas nazistas” por exigirem o boicote a Israel.

Waters, por sua vez, tem negado acusações de antissemitismo em seu apoio à Palestina. Em 2023, ele criticou o documentário “The Dark Side Of Roger Waters”, chamando-o de “uma peça de propaganda frágil e sem remorso”, argumentando que ele “depende de uma definição de antissemitismo que vê a crítica a Israel como inerentemente antissemita e assume que o sionismo é um elemento essencial da identidade judaica.”

Em fevereiro de 2025, um tribunal superior decidiu preliminarmente que Waters havia difamado o jornalista investigativo John Ware, envolvido no documentário, durante uma entrevista à Al-Jazeera.

O músico é um defensor de longa data da Palestina. Ele já criticou Thom Yorke e Jonny Greenwood, do Radiohead, por suas posições sobre Israel, afirmando que “não há argumento a ser feito” e que “não é um conflito. É um genocídio, Thom e Jonny!”. Em 2024, ele também respondeu a Nick Cave, que chamou seu apoio ao movimento BDS de “vergonhoso” e “profundamente prejudicial”, dizendo: “Não é complicado, Nick! Preste atenção!”

(Via: NME)

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