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Segundo José Norberto Flesch, “o rock está mais vivo do que nunca”

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
19 de março de 2026 5 min de leitura
Rock in Rio. Crédito: Reprodução.
Foto: Divulgação

A fala de José Norberto Flesch, ao destacar que “o rock está mais vivo do que nunca” e que o gênero vem sendo impulsionado por plataformas como o TikTok, ajuda a iluminar uma mudança que já vinha sendo percebida, mas que agora ganha contornos mais claros com o anúncio do Rock in Rio 2026.

Há uma transição em curso — e ela não é apenas estética, mas estrutural.

Durante décadas, festivais como o próprio Rock in Rio ou o Lollapalooza Brasil sustentaram seus dias “pesados” com base em nomes quase fixos: Iron Maiden, Metallica, e outros gigantes capazes de garantir público por inércia histórica. Esse modelo funcionou por muito tempo porque a indústria também operava assim: poucos artistas concentravam enorme alcance global.

O que o line-up de 2026 sugere, no entanto, é que essa lógica perdeu força.

Bandas como Bad Omens e Poppy não ocupam ainda o mesmo lugar simbólico que os headliners clássicos, mas representam algo talvez mais relevante no cenário atual: conexão direta com nichos altamente engajados. E isso, no contexto contemporâneo, pode ser tão valioso quanto o alcance massivo de outrora.

O ponto central aqui é que o rock não desapareceu — ele se fragmentou.

A pulverização de audiência, frequentemente tratada como um problema, também pode ser vista como uma reconfiguração saudável. Em vez de depender de poucos nomes “salvadores”, o gênero passa a se sustentar por uma base mais ampla, diversa e dinâmica. O crescimento pode ser menos explosivo, mas tende a ser mais distribuído.

Nesse sentido, a presença de bandas brasileiras como Black Pantera e Nervosa reforça outro aspecto importante: a descentralização. O protagonismo não precisa mais vir exclusivamente do eixo EUA–Europa. Há espaço — e necessidade — de incorporar cenas locais ao circuito global.

Claro, existe um risco. Um festival desse porte ainda depende de nomes capazes de mobilizar grandes multidões. A aposta em artistas em ascensão pode gerar line-ups menos “consensuais”, como o próprio Flesch sugere. Mas talvez esse desconforto seja inevitável — e até necessário.

Porque, no fundo, o que está em jogo não é apenas a escala de um festival, mas a sobrevivência de um modelo.

Se o rock quiser continuar relevante em grandes eventos, ele precisa aceitar que seu futuro não será uma repetição do passado. Não haverá uma nova leva de gigantes idênticos aos de antes. O que haverá — e já está acontecendo — é uma constelação de artistas que crescem em velocidades diferentes, impulsionados por algoritmos, comunidades e novas formas de descoberta.

O Rock in Rio 2026, ao que tudo indica, entendeu isso.

E, mais do que uma simples mudança de line-up, essa decisão pode marcar o início de uma nova forma de pensar o rock em escala global: menos dependente de mitos estabelecidos, mais aberto ao risco — e, principalmente, mais alinhado com a maneira como o público consome música hoje.

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