Promoções: Receba no seu whatsapp as melhores ofertas de CDs e LPs
Início - Sharon Osbourne: A Verdadeira VILÃ da Carreira de Ozzy?
Histórias

Sharon Osbourne: A Verdadeira VILÃ da Carreira de Ozzy?

Redação Disconecta
Redação Disconecta
5 min de leitura
Sharon Osbourne: A Verdadeira VILÃ da Carreira de Ozzy?
Foto: Divulgação

A jornada de Ozzy Osborne em sua carreira solo sempre foi um terreno fértil para narrativas complexas, onde o brilho musical frequentemente se entrelaçava com disputas ferrenhas nos bastidores. O álbum “The Ultimate Sin”, lançado em 1986, é um exemplo notável dessa dinâmica, revelando as engrenagens de uma indústria onde a arte e os negócios colidiam com força.

Na génese da fase solo de Ozzy, figura uma presença que, por décadas, foi subvalorizada: Bob Daisley. Este músico virtuoso foi um parceiro essencial na composição de muitas canções, desde os primeiros passos de Osborne fora do Black Sabbath. Sua influência na sonoridade e na estrutura melódica foi decisiva, um verdadeiro braço direito que moldou os discos iniciais, mas cujo reconhecimento financeiro e autoral se viu constantemente ameaçado, muitas vezes pela gestão implacável de Sharon Osborne.

Os anos 80 foram um período de intensa movimentação na banda de Ozzy. No baixo, a história é de um vai e vem. Phil Soussan, por exemplo, marcou presença em “The Ultimate Sin”, sendo o único registro dele com Ozzy, e teve uma participação notável na composição de “Shot in the Dark”, uma das canções mais conhecidas do disco. Já na bateria, a cadeira foi ocupada por Randy Castillo, mas a passagem de outros talentos, como Greg Sheon e Jimmy DeGrasso – este último conhecido por seu trabalho com Megadeth e Suicidal Tendencies –, antes da formação final, ilustra a busca por uma sonoridade coesa.

Jimmy DeGrasso, inclusive, chegou a gravar demos para o álbum. Antes dele, Greg Sheon, que também contribuiu com demos, não se encaixou na estética visual da banda, com um estilo que remetia mais ao Lynyrd Skynyrd do que ao universo de Ozzy. Essa busca por uma imagem e sonoridade adequadas era uma constante, refletindo a pressão da época e a gestão rigorosa que permeava o entorno do artista.

A produção de “The Ultimate Sin” foi assinada por Ron Nevison, um nome que, embora não fosse amplamente associado à imagem pública do álbum, ostentava um currículo extenso. Ele já havia trabalhado como engenheiro de som no “Quadrophenia” do The Who e produziu discos para bandas como Kiss (“Crazy Nights”), Michael Schenker Group, Thin Lizzy (“Nightlife”), Heart e Jefferson Starship. Sua marca sonora, como se percebe em boa parte de seus trabalhos, tendia a uma certa “crueza” ou “magreza” no som.

No caso do disco de Ozzy, essa característica se manifesta. As guitarras de Jake E. Lee, sempre potentes e com um timbre marcante, se impõem, sustentadas por bases quebradas que remetiam ao estilo de Randy Rhoads. Contudo, a bateria carecia de volume e profundidade, soando “seca” e “magra”, especialmente nos bumbos e pratos, o que gerava um contraste com a força da guitarra, do baixo e do vocal, considerados bem produzidos por muitos ouvintes. Essa particularidade divide opiniões: para alguns, era um defeito; para outros, parte do charme visceral do trabalho.

Os bastidores de Ozzy eram, muitas vezes, um campo minado de interesses financeiros. Sharon Osborne, filha do notório Don Arden – conhecido por táticas de negociação que incluíam pendurar músicos pela janela para assinar contratos –, herdou uma astúcia notável. As disputas por direitos autorais, particularmente com Bob Daisley e Lee Kerslake, levaram a uma decisão controversa em 2002, durante o relançamento em CD de álbuns cruciais como “Blizzard of Ozz” e “Diary of a Madman”: as faixas de baixo e bateria foram regravadas por Mike Bordin e Robert Trujillo para evitar o pagamento aos músicos originais.

Essa era uma prática que Jake E. Lee, o guitarrista de “The Ultimate Sin”, conhecia bem. Tendo já enfrentado problemas de crédito no álbum anterior, “Bark at the Moon”, ele chegou para as sessões de “The Ultimate Sin” exigindo garantias contratuais claras antes mesmo de iniciar as gravações e composições. Sua experiência o fez prever as complexidades da “Ozzy Osbourne Company”, uma empresa onde a colaboração artística nem sempre se traduzia em reconhecimento justo.

“The Ultimate Sin” permanece, assim, como um registro de uma era, com suas particularidades sonoras e a história das forças que moldaram sua criação. A crueza da produção, embora criticada por alguns, é vista por outros como a essência que o distingue. É um testemunho do talento de músicos que deixaram sua marca, e da complexa rede de relações que definiram uma das carreiras mais emblemáticas do rock e do metal, onde cada nota e cada assinatura tinham um peso além da música em si.

Compartilhe esta matéria:

Relacionados

Deixe seu comentário

Participe da discussão

Seu comentário será analisado pela nossa equipe antes de ser publicado.

RÁDIO
DISCONECTA
Rádio Disconecta