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Sly Stone, figura essencial do funk psicodélico, morre aos 82 anos nos Estados Unidos

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
9 de junho de 2025 5 min de leitura
Sly Stone. Foto: Getty Images.
Foto: Divulgação

Morreu nesta segunda-feira (9), aos 82 anos, o músico norte-americano Sly Stone, conhecido por liderar o grupo Sly and the Family Stone. A informação foi confirmada por familiares, que divulgaram nota à imprensa mencionando “complicações respiratórias crônicas e outras condições de saúde”.

“Após uma longa batalha com DPOC e outras enfermidades, Sly faleceu pacificamente, cercado pelos filhos, amigos e familiares”, diz o comunicado. O artista vivia nos arredores de Los Angeles e estava afastado dos palcos há anos.

Sylvester Stewart, seu nome de batismo, nasceu no Texas em 1943 e se mudou com a família ainda bebê para Vallejo, na Califórnia. Criado em ambiente religioso, começou a cantar em grupos gospel ao lado dos irmãos. Gravou seu primeiro disco aos nove anos, em 1952.

A trajetória profissional começou nos anos 1960, quando atuou como produtor da Autumn Records, em San Francisco. Trabalhou com nomes como Bobby Freeman e The Beau Brummels, além de liderar o programa de rádio na KSOL, misturando soul e rock.

Foi em 1966 que formou a Sly and the Family Stone, uma banda multiétnica e multigênero, algo raro na época. A formação incluía sua irmã Rose, o irmão Freddie e o baixista Larry Graham, entre outros músicos. O grupo ganhou notoriedade por misturar soul, rock, psicodelia e funk com uma estética livre e progressiva.

A estreia nacional aconteceu com o single “Dance to the Music”, de 1968. O sucesso se consolidou com o álbum “Stand!”, de 1969, que incluiu faixas como “Everyday People” e “I Want to Take You Higher”. No mesmo ano, Sly liderou uma das apresentações mais comentadas do Festival de Woodstock.

O crítico Dave Marsh escreveu na Rolling Stone Illustrated History of Rock & Roll que Sly Stone “trouxe integração racial e de gênero também para a estrutura musical”, destacando o papel ativo das mulheres na banda.

O disco “There’s a Riot Goin’ On”, de 1971, marcou um ponto de virada. Criado quase todo por Stone, em clima de isolamento e tensão, o álbum alcançou o primeiro lugar nas paradas, mas também indicou o início do declínio do grupo.

Problemas com drogas e instabilidade emocional afetaram o funcionamento da banda nos anos seguintes. Em 1983, a carreira de Sly nas grandes gravadoras foi encerrada. A partir de então, ele passou a viver longe dos holofotes, com raras aparições públicas.

Em 2011, o New York Post revelou que o músico vivia dentro de uma van no bairro Crenshaw, em Los Angeles. “Por favor, diga a todos para tocarem minha música, estou cansado disso tudo”, afirmou, na ocasião.

Ainda assim, sua influência perdurou por gerações. George Clinton, Prince, Herbie Hancock, Miles Davis e grupos de hip-hop como De La Soul e Public Enemy apontaram Sly Stone como referência direta.

Neste ano, o diretor Questlove — vencedor do Oscar por “Summer of Soul” — lançou o documentário “Sly Lives: aka the Burden of Black Genius”, que narra sua trajetória e as pressões impostas a artistas negros com visibilidade nos Estados Unidos.

Sly Stone deixa um corpo de obra que moldou o funk moderno, ampliou os limites da música negra e desafiou padrões de comportamento, gênero e som nos anos 1970. Suas criações ainda circulam em rádios, trilhas sonoras, samplers e coleções mundo afora.

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