Traveling Wilburys: a estreia de 1988 e a perda de Roy Orbison, o cantor que ninguém conseguiu substituir
Resumo
- ▪ Harrison e Lynne montaram os Traveling Wilburys e lançaram "Handle With Care" com Dylan, Petty e Orbison.
- ▪ Roy Orbison morreu de ataque cardíaco quando o disco estava perto de ser finalizado.
- ▪ Harrison disse que "só existia um Roy" e o grupo recusou usar fitas de Elvis Presley.
Montar os Traveling Wilburys exigiu cuidado na escolha de cada integrante. A ideia teria surgido numa conversa entre George Harrison e Jeff Lynne, que listavam as pessoas com quem gostariam de passar o tempo. Quando o projeto virou realidade, com o lançamento de “Handle With Care”, ficou claro que aquele era um dos grandes supergrupos já formados.
Boa parte do repertório devia ao rock and roll que acendeu a paixão de Harrison e Lynne na juventude. Tom Petty, de certa forma o caçula do grupo, tinha feito o dever de casa nesse terreno. Bob Dylan, mesmo tendo chegado tarde ao rock, entendia o que tornava tão boas as canções anteriores aos Beatles.
A proposta era voltar a um tempo em que bastavam uma batida decente e uma boa melodia, mas era o cantor certo que fechava a conta. O rock soaria bem mais rudimentar sem vozes como a de Elvis Presley, e ninguém duvidava de que Roy Orbison seria a grande voz da banda quando topou participar.
Poucos achavam que seria possível levá-lo, mas Lynne queria o cantor perfeito para a banda perfeita. Segundo ele, em declaração registrada sobre a canção “Not Alone Any More”: “Ele tem a maior voz da música pop, então você não pode atrapalhar. A voz dele já é muito grande, mas é difícil se encaixar com essa voz enorme e ainda manter alguma força por trás.”
Só que a história terminou cedo demais. Quando o disco estava perto de receber os retoques finais, Orbison morreu de ataque cardíaco, e o grupo perdeu um de seus grandes amigos. A banda seguiu em frente, mas todos sabiam que ninguém chegaria ao que ele fazia em “Not Alone Any More” ou ao rosnar em “Rattled”.
Harrison ainda tentou manter o grupo vivo, mas a sombra de Orbison estaria sempre presente. Em fala em vídeo, ele disse: “Não dá para substituir o Roy. Só existia um Roy. Na verdade, foi o que eu deveria ter feito: dedicar o disco ao Lefty Wilbury, que não pode ser substituído. Teria umas pessoas legais para chamar, mas acho que havia cantores e compositores suficientes, mesmo sem o Roy.”
O segundo álbum da banda teve bons momentos, mas dá para sentir que algo faltava. Orbison estava ali em espírito, claro, porém, ao ouvir Harrison assumir os vocais de uma faixa como “Inside Out”, que certamente pediria a voz de Orbison, falta um pouco de magia sem aquele vibrato primoroso.
Vale notar que, mesmo quando o grupo recebeu fitas de Elvis Presley para usar em algumas músicas, recusou. O Rei do Rock tinha uma das vozes mais reconhecíveis do ramo, mas nada substitui o tipo de cantor capaz de levar lágrimas aos olhos já nas primeiras notas de um clássico.