4 músicas que mostram o lado mais sensível de Roger Waters
Resumo
- ▪ Waters mostra delicadeza em "If", do álbum "Atom Heart Mother", de 1970, e em "Wish You Were Here".
- ▪ "Nobody Home", de "The Wall", é uma das baladas mais ternas sobre amor desfeito do rock clássico.
- ▪ "The Tide Is Turning (After Live Aid)" fecha "Radio KAOS", de 1987, com um tom de esperança.
Roger Waters não costuma medir palavras, e as recentes polêmicas mostram isso. Ele se envolveu em atritos com integrantes da família Osbourne e com o Metallica, como mostram as matérias sobre as críticas dele a James Hetfield e sobre as declarações sobre Ozzy Osbourne.
Nas letras, o músico também ficou conhecido pelo tom ácido, tanto no Pink Floyd quanto na carreira solo. Mas há momentos em que essa armadura cai. Quatro canções ajudam a contar essa história.
“If”
O colapso mental de Syd Barrett, cantor e compositor original, obrigou o Pink Floyd a se reinventar no fim dos anos 1960. Por um tempo, a banda lutou para definir a própria identidade. Em 1970, o álbum “Atom Heart Mother” trouxe uma espécie de suíte orquestral de um lado do disco. No outro, o grupo apostou em canções mais tradicionais.
Waters, que ainda não era o único letrista, apareceu com “If”. A faixa toca em temas que ele exploraria com muito mais dureza nos anos seguintes, como o abismo entre pessoas que deveriam se aproximar em busca de um terreno comum de empatia.
“Wish You Were Here”
Depois do sucesso enorme de “The Dark Side Of The Moon”, o Pink Floyd penou para encontrar um tema à altura do disco seguinte. A banda acabou voltando os olhos para o triste caso de Barrett em “Wish You Were Here”.
Como letrista, Waters não suavizou o declínio do ex-companheiro na suíte “Shine On You Crazy Diamond”. Também mirou a indústria musical em faixas ácidas como “Have A Cigar” e “Welcome To The Machine”. Mas o momento mais tocante do álbum, e talvez de toda a carreira da banda, é a faixa-título. Com música de David Gilmour, a letra de Waters fala sobre como qualquer um de nós pode se afastar não só dos amigos, mas até de si mesmo.
“Nobody Home”
O Pink Floyd nunca foi conhecido pela leveza. “The Wall”, cujo conceito e escrita foram comandados por Waters, é sombrio até para os padrões do grupo. Em certo ponto, Pink, o protagonista, flerta com tendências fascistas depois de ser golpeado pela vida inteira pelas forças ao redor.
No meio disso tudo, Waters entrega uma das baladas mais ternas sobre amor que deu errado na era do rock clássico. Nas estrofes, o narrador lista seus confortos materiais. Ao chegar ao refrão, percebe que nada disso importa sem alguém para quem ligar e desabafar no fim do dia.
“The Tide Is Turning (After Live Aid)”
Depois de deixar o Pink Floyd de forma amarga, Waters iniciou a carreira solo mantendo os temas que levara à ex-banda. “Radio KAOS”, de 1987, é sombrio em vários pontos, e a destruição nuclear aparece no repertório.
Mas a faixa final “The Tide Is Turning (After Live Aid)”, surpreende. Pelo que se sabe, a gravadora havia pressionado por algo com um pouco mais de positividade. Waters não se apresentou no Live Aid, em 1985, mas a união do público nos shows o inspirou. A canção que escreveu absorve esse clima de esperança.


