5 discos lançados no fatídico 11/09/2011
Nunca é fácil falar de algo que você viu acontecer diante de seus olhos, ainda mais quando foi uma tragédia de grandes proporções como o atentado de 11 de setembro de 2001.
Eu me lembro deste dia como se fosse hoje, o mundo parou! Aquilo que víamos pela TV, ao vivo, foi um choque para todo mundo, deixando todos com um sentimento de vulnerabilidade e aquilo meio que quebrou aquela ilusão de segurança nas grandes potências ocidentais.
Nos dias seguintes, a dor e a solidão deram lugar a uma onda de solidariedade internacional, mas que rapidamente se converteu em um clima permanente de desconfiança e medo. A rotina global mudou: aeroportos adotaram regras rígidas, a vigilância estatal aumentou e o preconceito contra comunidades muçulmanas cresceu. O trauma coletivo daquele dia inaugurou o século XXI sob a sombra da incerteza, dividindo a história recente entre o mundo que existia antes e a realidade vigilante que sobrou depois.
Engraçado pensar que houveram lançamentos de discos (bons lançamentos) que, talvez naquele momento, tenham passado em branco. Pensando nisso e vendo um post de meu amigo Ricardo do @popfantasma, resolvi trazer alguns destes discos que talvez hoje, 25 anos depois, façam mais sentido com aquele 11 de setembro.
Abaixo então, 5 discos lançados em 11 de setembro de 2001.
Bob Dylan – Love and Theft

Love and Theft mostra Bob Dylan revisitando blues, folk, country e rock’n’roll com uma abordagem descontraída, mas cheia de detalhes. Entre guitarras, piano e arranjos tradicionais, o compositor combina humor, personagens e referências à cultura americana em canções como “Tweedle Dee & Tweedle Dum” e “Mississippi”. É um disco que olha para a tradição sem soar preso ao passado, encontrando nela matéria-prima para uma das fases mais consistentes de sua carreira.
Ben Folds – Rockin’ the Suburbs
Em Rockin’ the Suburbs (2001), Ben Folds transforma piano, humor e observações do cotidiano em canções pop cheias de personalidade. O álbum combina rock, power pop e arranjos orquestrais, alternando ironia e momentos mais introspectivos. “Rockin’ the Suburbs”, “Zak and Sara” e “Fred Jones, Part 2” mostram um compositor atento às pequenas situações da vida, capaz de fazer do banal matéria-prima para grandes canções.

Slayer – God Hates Us All

God Hates Us All apresenta o Slayer em uma de suas fases mais agressivas, com guitarras pesadas, bateria brutal e produção mais direta. Faixas como “Disciple”, “Bloodline” e “New Faith” combinam velocidade e riffs secos com letras marcadas por violência, religião e descrença. Sem buscar reinventar a fórmula, o álbum concentra a força do Slayer em um registro áspero e implacável.
Nickelback – Silver Side Up
Silver Side Up levou o Nickelback ao grande público ao combinar hard rock, post-grunge e refrões de forte apelo radiofônico. “How You Remind Me”, “Too Bad” e “Never Again” mostram uma banda equilibrando melodias acessíveis com letras sobre relacionamentos, conflitos familiares e violência. É um disco direto e eficiente, que definiu o som do Nickelback no início dos anos 2000.

Roland Orzabal – Tomcats Screaming Outside

Claro — dá para tratar como uma pequena descoberta, destacando justamente o caráter pouco conhecido do álbum.
Tomcats Screaming Outside é o único álbum solo de Roland Orzabal, do Tears for Fears, e até hoje permanece desconhecido por muita gente. Mais eletrônico, sombrio e experimental, o disco se distancia do pop sofisticado de sua banda e revela um compositor disposto a explorar outras texturas. “Low Life” e “For the Love of Cain” estão entre seus momentos mais interessantes. Uma verdadeira cereja do bolo para quem acompanha Orzabal, justamente por ser um trabalho que passou longe dos holofotes.



