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Histórias

A banda que Mick Jagger e Kurt Cobain criticaram por motivos bem diferentes

5 min de leitura
Aerosmith.
Foto: Aerosmith. — Foto: Divulgação
Resumo
  • ▪ Jagger chamou o Aerosmith de "lixo", mas elogiou Steven Tyler como alguém agradável, quase doce demais.
  • ▪ Cobain criticou o sexismo nas letras de Aerosmith e Led Zeppelin, que ouvia na adolescência.
  • ▪ "Aero Zeppelin", gravada pelo Nirvana em 1988, saiu na coletânea "Incesticide" em 1992.

Mick Jagger e Kurt Cobain parecem não ter nada em comum. De um lado, o vocalista dos Rolling Stones, estrela de estádios e do rock de massas em escala mundial. Do outro, o outsider que, sem querer, acabou à frente de um dos movimentos mais importantes dos anos 1990 com o Nirvana. Ainda assim, os dois fizeram críticas ao Aerosmith.

A banda se formou em Boston, em 1970, e construiu sua identidade a partir do hard rock e do blues, com uma presença de palco marcada pela personalidade do vocalista Steven Tyler. Com músicas como “Dream On”, “Sweet Emotion” e “Walk This Way”, o grupo ocupou o centro da cena do rock nos anos 1970. Mesmo assim, a relação com alguns colegas da época nem sempre foi tranquila.

Segundo reconstituiu a Far Out Magazine, Jagger nunca ficou muito à vontade com as semelhanças entre o Aerosmith e os Rolling Stones. Tyler já havia confessado sua admiração pelo colega e contado que, na infância, imitava o sotaque britânico do cantante enquanto fantasiava ser seu primo. A devoção, porém, não despertava o mesmo entusiasmo do outro lado.

Em certa ocasião, Jagger foi taxativo sobre a banda americana: “Meu Deus, Aerosmith! São simplesmente lixo, uma porcaria completa”. Ele, no entanto, separou a opinião sobre o grupo da que tinha de Tyler: “O cantor [Steven] é um sujeito bastante agradável, isso sim. É quase doce demais”.

A posição de Cobain era outra. O líder do Nirvana ouviu Aerosmith e Led Zeppelin na adolescência e gostava de algumas canções, mas com o tempo passou a questionar o conteúdo das letras. Sua crítica não tinha relação com semelhanças musicais com outra banda, e sim com o sexismo que identificou em parte desse repertório.

“Eu escutava Aerosmith e Led Zeppelin e realmente gostava de algumas das melodias que eles escreveram”, explicou Cobain. “Levei muitos anos para perceber que grande parte tinha a ver com sexismo. A forma como escreviam sobre seus pênis e sobre sexo”. O músico acrescentou que só nos últimos anos do colégio começou a entender o que tanto o incomodava nessas músicas.

Essa relação complexa com as influências também aparece em “Aero Zeppelin”, música do Nirvana gravada em 1988 e incluída na coletânea “Incesticide” (1992), cujo título junta os nomes de Aerosmith e Led Zeppelin. Embora a faixa costume ser associada a uma crítica a certos lugares-comuns do rock, Cobain também descreveu o nome como uma homenagem irônica a dois de seus referenciais do rock dos anos 1970.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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