30 anos de ODELAY do BECK RD – 117
No episódio 117 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Marcelo Scherer e Virgílio Migliavacca se reúnem para celebrar os 30 anos de Odelay, o álbum icônico de Beck. Lançado em 18 de junho de 1996, este trabalho é aclamado como um dos mais inventivos e criativos dos anos 90, marcando uma era com sua fusão ousada de gêneros e sonoridades.
A discussão aprofunda-se na produção revolucionária de Odelay, a cargo dos Dust Brothers. A dupla destaca como os produtores, já conhecidos por seu trabalho com o Beastie Boys no álbum Paul’s Boutique, trouxeram uma abordagem inovadora ao rock alternativo, incorporando elementos de hip-hop, colagens e samples. Essa parceria foi crucial para moldar a identidade sonora do disco, que se tornou um divisor de águas ao explorar a experimentação e a mistura de estilos.
Os apresentadores ressaltam que Odelay foi um marco para a DGC, a gravadora de Beck, que inicialmente não acreditava tanto no projeto após o sucesso de Mellow Gold e o hit “Loser”. No entanto, o álbum superou as expectativas, conquistando dois Grammys (Melhor Álbum de Música Alternativa e Melhor Performance Vocal de Rock Masculina) e sendo eleito Álbum do Ano por publicações como a Rolling Stone e a NME. A obra é comparada a outros pilares do rock alternativo dos anos 90, como Nevermind do Nirvana e OK Computer do Radiohead, por sua influência e impacto.
A sonoridade eclética do disco é um dos pontos centrais da conversa, com a presença de slide guitars de country, delta blues e funk, combinados de forma inusitada com batidas sampleadas. O episódio também aborda a importância da tecnologia na criação de Odelay, que, com o avanço de ferramentas digitais, permitiu aos Dust Brothers manipular áudios e criar colagens complexas de forma mais eficiente do que em trabalhos anteriores. A discussão se estende à questão jurídica dos samples, com os produtores organizando e, em alguns casos, recriando trechos para evitar problemas de direitos autorais.
O podcast explora a figura de Beck como um artista “esquisitão” e sua imagem única, que contribuíram para a originalidade do projeto. Músicas como “Devils Haircut” e “Where It’s At” são mencionadas como exemplos da inventividade do álbum, com suas introduções inesperadas e a mistura de gêneros que se tornaram sua marca registrada. A participação de músicos lendários como o baixista Charlie Haden também é destacada, evidenciando a profundidade musical do trabalho.
A análise da Rolling Stone de 1996, que questionava se o futuro do rock and roll poderia ser um “moleque desleixado com corte de cabelo ruim, uma coleção de discos absurdamente eclética, dois toca-discos e um microfone”, é citada como prova da visão à frente do tempo de Odelay. O impacto do álbum é rastreado em bandas posteriores como Gorillaz, Hot Chip, Animal Collective, Chemical Brothers e LCD Soundsystem, que beberam dessa fonte de experimentação e mistura de estilos.
Para quem busca uma experiência sonora desafiadora e recompensadora, Odelay é um disco que exige atenção e múltiplas audições. Convidamos você a mergulhar nesta obra fundamental e a conferir a discussão completa no episódio 117 do podcast Redação DISCONECTA, disponível em todas as plataformas de áudio e no nosso canal do YouTube.



