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Redação Disconecta

40 anos de VIVENDO E NÃO APRENDENDO do IRA! | RD 133

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40 anos de VIVENDO E NÃO APRENDENDO do IRA! | RD 133
Foto: Divulgação

No episódio 133 do podcast Redação DISCONECTA, o programa mergulha nos 40 anos de Vivendo e Não Aprendendo, um marco para o rock paulista e brasileiro. Nesta edição, os apresentadores Luis Fernando Brod, Júlio Mauro e Tomás Gouveia se reúnem para celebrar e analisar a relevância atemporal deste álbum seminal da banda Ira!.

O trio inicia a conversa destacando a safra de 1986, um ano prolífico para o rock nacional, e posiciona Vivendo e Não Aprendendo entre os grandes discos da década, comparando-o a clássicos como Cabeça Dinossauro dos Titãs e Selvagem? dos Paralamas do Sucesso. Eles enfatizam como o álbum trouxe uma sonoridade mais madura e contestadora para o rock brasileiro, quebrando com a imagem “solar” de outras bandas da época e se tornando um dos maiores expoentes do rock paulista.

A discussão aborda a trajetória da banda que, após o sucesso de “Núcleo Base” do álbum anterior, chegou ao Rio de Janeiro para gravar com Liminha, buscando uma sonoridade inspirada em The Jam e Gang of Four. As tensões com o produtor, que criticava a guitarra de Edgard Scandurra, levaram a banda a finalizar o disco em São Paulo com Pena Schmidt. Apesar dos desafios, o álbum gerou hits como “Envelheço na Cidade”, “Dias de Luta” e, especialmente, “Flores em Você”, que se tornou tema de abertura da novela “O Outro” e impulsionou o reconhecimento nacional do Ira!.

Os apresentadores exploram as complexidades da banda, conhecida por seus temperamentos impulsivos e as “treta” que marcaram sua carreira, como o episódio com Chacrinha e a polêmica em torno da música “Pobre Paulista”, que foi retirada do repertório por ser mal interpretada. O papel da MTV no “ressurgimento” do Ira! nos anos 2000, com o MTV Ao Vivo e o Acústico MTV, também é discutido, mostrando os altos e baixos da banda ao longo das décadas.

Além dos clássicos, faixas como “Casa de Papel”, “Tanto Quanto Eu” e “Vitrine Viva” são elogiadas, revelando a profundidade das composições de Edgard Scandurra. A capa do álbum, com quatro desenhos de artistas diferentes, é destacada por sua originalidade e por contrastar com a intensidade das letras. A sonoridade “crua” do Ira!, sem a profusão de teclados comum na época, contribui para que o disco não soe datado, mantendo suas letras atuais e relevantes para as críticas sociais do Brasil.

Vivendo e Não Aprendendo é descrito como um álbum que sintetiza a música brasileira dos anos 80, tratando a juventude com suas dúvidas, impaciências e conflitos, sem idealizá-la. Quarenta anos após seu lançamento, o disco continua a ressoar, com canções que permitem ao ouvinte reconhecer incertezas diante do futuro e refletir sobre mudanças de vida. É um álbum sobre a dificuldade de compreender a vida enquanto ela acontece, feito por uma banda que, naquele momento, também buscava afirmar sua identidade.

Não perca este bate-papo aprofundado sobre um dos pilares do rock nacional. Assista ou ouça o episódio completo do Redação DISCONECTA e descubra por que Vivendo e Não Aprendendo permanece um clássico irrefutável e atemporal.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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