Entrevista TEAGO OLIVEIRA sobre novo álbum da MAGLORE | RD 131
No episódio 131 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores fixos Luis Fernando Brod, Marcelo Scherer e Virgílio Migliavacca recebem o vocalista e compositor Teago Oliveira, da banda Maglore. O bate-papo mergulha no processo criativo e nos bastidores de Fluxo Natural, o sexto e mais recente álbum de estúdio do grupo, oferecendo uma perspectiva essencial sobre a evolução sonora da banda.
A Maglore, formada em 2009 em Salvador, é apresentada como um dos pilares do rock brasileiro pós-anos 2000, construindo uma linguagem própria que mescla rock, MPB, psicodelia, pop soul e a rica tradição brasileira. Teago Oliveira compartilha como a longevidade da banda e a autoconsciência estética moldaram Fluxo Natural, um disco que, apesar de complexo, teve uma criação artística tranquila, refletindo um amadurecimento e a superação de vaidades.
Um dos pontos altos da conversa é a colaboração na composição, com Lucas (Luquinhas) dividindo as criações com Teago. O vocalista explica que, embora seus caminhos musicais sejam diferentes, essa convergência foi crucial para o álbum. Ele destaca a mudança na sonoridade da banda, que sempre teve um som “muito 60s” e mixagens “old school”, para um som mais “aberto, com mais grave e volume”, buscando uma modernidade sem abandonar as raízes da banda.
A discussão se aprofunda na identidade do rock brasileiro, com Teago criticando a tendência de roqueiros que “não conseguem enxergar o Brasil”, focando apenas no rock estrangeiro. Ele defende a riqueza da música brasileira e a importância de misturar elementos como o samba, citando influências como Los Hermanos e a poesia de Renato Russo, que, apesar de “chupinhar” referências gringas, se tornou um dos maiores poetas da língua portuguesa.
Teago também aborda seu segundo disco solo, Canções do Velho Mundo, lançado no ano anterior, como um “laboratório” para experimentações que não cabiam na banda, mas que contribuíram para a maturidade de Fluxo Natural. A coincidência temática de “rio, mar, farol” entre suas composições e as de Lucas é apontada como a “mágica” que confirmou que estavam fazendo um disco de banda coeso. Ele ainda revela a inusitada participação de Mateus, da dupla Jorge & Mateus, no solo de “Amor S.F.”, destacando o talento roqueiro do sertanejo.
A banda enfrenta os desafios do cenário independente pós-pandemia, com Teago sendo sincero sobre as dificuldades financeiras e o aumento dos custos. No entanto, ele celebra a sobrevivência da Maglore e a construção de uma base de fãs sólida, que se expande por todo o Brasil, muitas vezes por meio do “boca a boca”, desafiando as métricas das redes sociais. A conversa também toca na “pasteurização” da música atual e a importância do trabalho de formiguinha de veículos como o Disconecta.
O episódio encerra com a confirmação de que Fluxo Natural terá lançamento em vinil e a reflexão de Teago sobre o futuro da banda e seus projetos solo, incluindo a ideia de não apressar um próximo álbum da Maglore nos próximos anos. Ele enfatiza que o conceito do disco, que fala sobre o tempo, nasce de forma espontânea e não premeditada, e que a banda ainda mantém a paixão e a essência de “crianças com a guitarra na mão”. Assista e ouça esta edição imperdível do Redação DISCONECTA para mergulhar no universo da Maglore!


