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Redação Disconecta

35 anos de SCREAMADELICA do PRIMAL SCREAM | RD 132

5 min de leitura
35 anos de SCREAMADELICA do PRIMAL SCREAM | RD 132
Foto: Divulgação

No episódio 132 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Luis Fernando Brod, Marcelo Scherer e Virgílio Migliavacca mergulham fundo nos 35 anos de Screamadelica, o icônico álbum do Primal Scream. Considerado um dos discos mais influentes do rock alternativo mundial, Screamadelica foi inicialmente ofuscado pelo movimento grunge, mas ressurgiu anos depois para consolidar seu lugar na história da música.

A discussão explora a sonoridade inovadora do álbum, que marcou uma ousada transição para o Primal Scream. A banda, que antes fazia um rock inglês mais tradicional, mergulhou de cabeça na Soul Music, no House e no Acid House, buscando influências além do rock. O trio destaca a forte pegada “stoniana” do disco, remetendo à fase mais “groovada” e “negra” dos Rolling Stones, com muitas pitadas da efervescente cena de Manchester e da gravadora Creation Records, que abriu espaço para essa nova geração.

Os apresentadores ressaltam o contexto de lançamento de Screamadelica em setembro de 1991, apenas três dias antes de Nevermind do Nirvana, o que contribuiu para seu inicial apagamento. No entanto, o disco é uma colagem de influências e colaborações, com produtores como Andrew Weatherall e The Orb remixando músicas existentes, como “Loaded” (originalmente “I’m Losing More Than I’ll Ever Have”). Faixas como “Come Together”, “Slip Inside This House” (cover do 13th Floor Elevators) e “Don’t Fight It Feel It” exemplificam a fusão de eletrônica, gospel e dub jamaicano.

A capa do álbum, desenvolvida pelo artista Paul Cannell, é um capítulo à parte. Inspirada por uma mancha de umidade vista após o consumo de LSD, com suas cores vibrantes de vermelho, laranja e amarelo, ela se tornou uma imagem icônica que transcende o próprio disco, influenciando artistas como Jean-Michel Basquiat e Andy Warhol, e solidificando a estética alucinógena e hedonista que permeia o trabalho.

A influência de Screamadelica é inegável, quebrando barreiras entre o rock e a música eletrônica, e entre os anos 80 e a nova década. O álbum pavimentou o caminho para artistas como Chemical Brothers e The Prodigy, e inspirou bandas brasileiras como Cachorro Grande (em Costa do Marfim e Electromod) e Projeto CH. Bobby Gillespie, líder do Primal Scream e ex-baterista do The Jesus and Mary Chain, é retratado como um artista inquieto que se recusava a repetir fórmulas, sempre antenado com as tendências e a cultura clubber.

O disco, que vendeu mais de 3 milhões de cópias e atingiu o segundo lugar nas paradas independentes do Reino Unido, é descrito por Bobby Gillespie como “um álbum de canções”, que não é apenas pop, rock ou dance, mas uma mistura de climas e elementos que o tornam singular. Essa fusão de gêneros, que hoje parece fluida, era revolucionária para a época, com o groove da música negra como fio condutor de todas as composições.

Não perca esta análise aprofundada de um álbum que se tornou um marco cultural. Assista ou ouça o episódio completo do Redação DISCONECTA para descobrir todos os detalhes e curiosidades sobre Screamadelica e sua duradoura influência na música.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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