Bono explica por que não tenta trabalhar com o governo de Donald Trump
Resumo
- ▪ Bono disse ao The Guardian que já foi convidado para conversas com o governo Trump, mas recusa por não ter um plano.
- ▪ Larry Mullen citou o corte de verbas para o combate à AIDS na África como motivo de choque para a banda.
- ▪ Bono afirmou que o cenário atual é um "mundo novo""um pouco fascista", e que exige uma resposta diferente.
Bono, vocalista do U2, explicou por que não tentou atuar junto ao governo de Donald Trump, apesar de já ter circulado em esferas presidenciais e de ter sido convidado para conversas.
O cantor construiu reputação como ativista político nos anos 1990, ao se envolver em causas como o combate à AIDS, o apoio à África e a defesa dos direitos humanos na Irlanda, seu país natal, e em outros lugares.
“Existe uma permissão que você precisa sentir para cumprir uma tarefa”, disse Bono ao The Guardian, em nova entrevista. “Você sente isso espiritualmente. Pensa: ‘Acho que posso ajudar aqui’.”
Ele continuou: “Fui convidado, mas sei que não estou à altura. Não tenho capacidade de negociar com eles. É demais.”
Bono afirmou que lhe falta “um plano, uma estratégia para uma ação bem-sucedida, uma ideia original que eu conseguisse levar a eles”. Por isso, concluiu: “Talvez seja melhor deixar isso para outra pessoa. Não sinto a liderança, é essa a palavra? Aquela coisa de achar que você sabe o que fazer.”
O baterista Larry Mullen disse que o desmonte do trabalho anterior da banda pesou nessa decisão. “Quando tiraram dinheiro do combate à AIDS, das pessoas na África, acho que, para ser sincero, você ficou em estado de choque e consternação com o que via.”
“Essas coisas exigem enormes quantidades de tempo e energia, e você não consegue fazer tudo. Só dá para fazer uma certa quantidade.”
Questionado se considera o governo atual diferente dos anteriores, inclusive os de direita, Bono respondeu: “Sim, considero. É um mundo novo. Isso é diferente. Há um cheiro no ar, há um barulho, e estamos todos tentando entender.”
“Há uma dança novinha em folha, e sabemos o nome dela”, concluiu. “É um pouco… fascista. E exige uma resposta diferente.”


