Born To Kill, o novo rugido de Mike Ness e o seu Social Distortion

Tomas Gouveia
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Tomas Gouveia
Arquiteto de formação e aficionado por música, Tomas Gouveia avalia a construção estética e sonora das bandas de rock clássico e alternativo. No portal Disconecta, ele...
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Capa de ´Born To Kill´ – Mike Ness e Shepard Fairey

Quinze anos após o ótimo (E quando a banda não foi minimamente ótima?) Hard Times And Nursery Crimes o Social Distortion está de volta. E de volta após uma batalha de seu líder e fundador Mike Ness contra um câncer que acabou pausando por um tempo a finalização de um álbum que por muitas vezes fora anunciado como breve lançamento.

Este álbum traz como curiosidade o fato que trata-se do segundo registro seguido em anos de carreira da banda com a mesma formação, já que ainda que o atual baterista Dave Hidalgo Jr. não tenha participado da gravação, ele já havia sido creditado como membro no registro anterior, de 2011.

A faixa título (e que também foi o primeiro single) abre o álbum nos trazendo de cara dois dos solos de guitarra mais inspirados do disco, sendo eles em cima de uma base que ainda que possa ser simplória, carrega o peso e a intensidade que o ocasião pede.

Na faixa seguinte, No Way Out podemos fechar os olhos e imaginar Ness em um dueto com Iggy Pop tamanha a aura Stoogiana que permeia a música toda. Já a seguinte The Way Things Were, com uma forte inclinação folk, é a música mais contemplativa do álbum com Ness narrando algo cotidiano e transformando isso em hino com a mesma categoria que os grandes singer-songwriters americanos o fazem.

Tonight poderia estar no álbum autointitulado de 1990 e ou no seguinte, a obra-prima Somewhere Between Heaven and Hell? Poderia. Mas a canção é um sempre bem-vindo aceno da banda a um passado bem sucedido, que em outros tempos a fariam ser presença constante das programações das rádio rock e também nos programas de videoclipe que inundavam as frequências dos aparelhos e televisores da época, com Partners In Crime seguindo o mesmo sentimento da música anterior.

Crazy Dreamer com as participações de Lucinda Williams dividindo os vocais com Ness e ainda, Benmont Tench, do Tom Petty And the Heartbreakers trazendo uma ótima contribuição para as teclas, joga sem concessões o álbum para o country tornando esta uma das músicas mais inspiradas de toda a carreira da banda.

De 1989 até hoje não foram poucos os esforços de bandas e artistas em se fazer uma versão de Wicked Game do Chris Isaak, mas nenhum deles conseguiu apresentar um resultado digno de nota. Mas com o Social Distortion foi diferente. Mike Ness tomou a música pra ele, possivelmente fazendo uma versão quase que definitiva com um arranjo classudo de backing vocals passando inclusive pelo pós punk.

Walk Way talvez estruturalmente a música mais simples do álbum traz uma sonoridade direta remetendo inclusive ao AC/DC, com seus riff e refrão certeiros. Simplicidade esta mantida também na faixa seguinte, Never Goin´Back Again.

Em Don´t Keep Me Hanging On, Ness abraça a tristeza e pula para o outro lado dos Estados Unidos em um arranjo que faria The Boss e sua E Street Band orgulhosos, assim como o The Gaslight Anthem tem feito.

Por fim,  Over You que poderia com o título indicar uma despedida melancólica do álbum joga o clima lá pra cima com os pés fincados nos anos 50 com backing vocals, piano e paradinha com refrão em cima de baixo e bateria pedindo palmas para quem está escutando.  

Cheio de referências que trouxeram a banda viva até o ano de 2026, Born To Kill nos faz lembrar a cada canção a razão que nos leva a parar, escutar e prestar a atenção sempre que Mike Ness resolve expressar aquilo que têm para dizer.

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