Peter Frampton deixou todos em estado de alerta, em 2019, após revelar que sofre de miosite por corpos de inclusão, doença que causa atrofia muscular.
A condição, segundo ele, afeta diretamente sua forma de tocar. “A pior coisa de tocar, para mim, é quando estou improvisando e preciso pensar no que estou tocando. Eu não quero pensar, quero que simplesmente venha do meu coração. Sempre toquei assim. E agora preciso pensar um pouco, porque às vezes estou no meio da passagem e penso: ‘Esse dedo não vai chegar a tempo!’. Então, me reorganizo e uso um dedo para muitas notas que antes eu tocava com três”.
De forma surpreendente, Frampton entrega Carry The Light, seu primeiro álbum de inéditas em 16 anos.
Com 10 faixas inéditas, o guitarrista inglês mostra que, apesar das adversidades, ainda possui a força necessária para superar qualquer obstáculo e demonstrar toda a sua expertise musical.
Os detalhes já aparecem na primeira faixa. Na primeira audição, você pensa: “Sua voz está mais grave”. Até chegar Buried Treasure: aquela voz límpida do clássico Frampton Comes Alive! ainda está lá. Aos 76 anos, é impressionante a preservação vocal do artista. Além disso, a faixa se encaixaria perfeitamente no repertório do lendário álbum ao vivo.
Outro destaque é a participação de Sheryl Crow em Breaking The Mold, dueto que figura entre os grandes momentos do disco. Já o rock de protesto explosivo de Lions At The Gate ganha ainda mais energia com Tom Morello. Graham Nash adiciona harmonias marcantes em I’m Sorry Elle, enquanto Benmont Tench, do Tom Petty and the Heartbreakers, participa de Buried Treasure. Já Bill Evans surge, retirado de sua cova, em Can You Make Me There e Tinderbox.
Destaque para a instrumental Islamorada, com a participação de H.E.R; Peter Frampton entrega sentimento em cada nota que faz. Emocionante! Belo! Perfeição!
Este é um momento importante para Peter Frampton. Apesar de tudo, seu talento duradouro se sobrepõe, com vitalidade e pulsação, à recusa em desacelerar.
E isso é empolgante, principalmente porque muitos ícones da música têm se mostrado mais produtivos na velhice do que em seus tempos áureos. O tempo, apesar de trazer os inevitáveis efeitos do envelhecimento, parece estar fazendo bem para uma geração inteira de lendas.
Se ainda há fôlego para atingir em cheio os ouvintes mais jovens, as plataformas de streaming e o cenário musical atual, talvez seja cedo para afirmar. Mas uma coisa é certa: Carry The Light merece, com tranquilidade, um lugar entre os grandes lançamentos do ano.
Ponto para Peter Frampton.



