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Resenha | Brandon Flowers – “Thrasher”

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Brandon Flowers - Thrasher
Foto: Brandon Flowers – Thrasher

Brandon Flowers nunca foi um artista conhecido pela moderação. Desde os primeiros discos do The Killers, sua música sempre buscou dimensões maiores, refrões para multidões e personagens desenhados em traços largos. Em Thrasher, seu terceiro álbum solo, essa característica permanece intacta, mas encontra um território diferente: o country.

Não se trata de um disco de country tradicional no sentido mais purista, tampouco de um trabalho de rock disfarçado de country. Flowers conserva a tendência ao excesso que sempre marcou sua carreira e a coloca dentro de uma estrutura musical mais orgânica. O resultado aproxima-se do country-rock, da Americana e do chamado heartland rock, com referências que passam por Waylon Jennings, Bruce Springsteen e John Mellencamp, mas sem transformar o álbum em uma coleção de homenagens.

Gravado em Nashville, “Thrasher” conta com músicos experientes da cena country, entre eles Charlie McCoy, conhecido por trabalhos com Bob Dylan. Guitarras, steel guitar, harmônica, cordas, metais e vocais de apoio criam uma produção sofisticada, que transita entre o country clássico e o rock americano dos anos 1970 e 1980. Em vez de simplesmente adaptar suas canções ao gênero, Flowers incorpora essas referências ao seu próprio estilo.

Resenha | Brandon Flowers – “Thrasher”

A voz é um dos pontos fortes. Mais grave e menos associada ao registro habitual do The Killers, ela combina bem com as narrativas do disco. Em músicas como “Does It Ever Cross Your Mind?“, “Tiger’s Blood” e “Plans“, Flowers assume o papel de contador de histórias do interior americano, construindo personagens e situações com muitos detalhes.

Tiger’s Blood” é um dos melhores exemplos dessa abordagem. A música reúne imagens de estradas, pequenas cidades e personagens comuns sem transformar tudo em uma caricatura do country. Já “The Red Ground” acrescenta metais de inspiração mariachi e uma atmosfera de western, mostrando que Flowers não pretende seguir uma fórmula rígida.

One of Us” e “An American Dream” também estão entre os momentos mais fortes, especialmente quando o cantor equilibra emoção e narrativa sem carregar demais a composição. Em contrapartida, “Miss America” e principalmente “Angel” mostram o problema recorrente do álbum: Flowers às vezes explica demais aquilo que a própria história já conseguiria transmitir.

Essa tendência ao excesso, aliás, acompanha toda a carreira do músico. A diferença é que em “Thrasher” ela parece mais adequada ao repertório. O sentimentalismo, os grandes arranjos e as imagens muito específicas fazem parte da proposta do disco e ajudam a estabelecer uma identidade própria.

A relação com “Pressure Machine“, de 2021, é inevitável. Se aquele álbum representou uma redução de escala para o The Killers, “Thrasher” desenvolve algumas dessas características dentro de uma estética country. Há menos preocupação com grandes refrões de arena e mais espaço para personagens, lugares e pequenas histórias.

O resultado é um álbum country com coração de rock de arena, feito em Nashville, mas ainda reconhecivelmente seu. E, para um compositor cuja carreira sempre foi construída sobre a ideia de sonhar grande, talvez não exista gênero mais adequado do que esse country expansivo, sentimental e profundamente americano de Thrasher.

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