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Protesto de Cesar Camargo Mariano contra remix de álbum de Elis Regina gera debate

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
24 de março de 2026 5 min de leitura
Elis Regina 1973. Crédito: Reprodução Youtube
Foto: Divulgação

O pianista, arranjador e diretor musical Cesar Camargo Mariano manifestou publicamente sua insatisfação com a nova remixagem do álbum “Elis”, de 1973, da cantora Elis Regina. A declaração, feita em rede social, reacende a discussão sobre os limites da intervenção em obras musicais já finalizadas, especialmente de artistas falecidos.

A edição remixada e remasterizada do disco “Elis” foi lançada pela Universal Music na última terça-feira, 17 de março, em homenagem aos 81 anos de nascimento de Elis Regina. O projeto foi orquestrado por João Marcello Bôscoli, filho e herdeiro da cantora, em parceria com o engenheiro de som Ricardo Camera.

Cesar Camargo Mariano, que trabalhou diretamente na concepção e gravação do álbum original, expressou tristeza ao ouvir a nova versão. Ele afirmou que “todo o trabalho de meses de criação do conceito musical, dos arranjos e das execuções, dos planos de gravação e mixagem, todos estudados e muito bem pensados por nós, jogados no lixo”. Mariano defende que não se pode alterar tecnicamente uma obra final a esse ponto, modificando planos de mixagem, a voz, os arranjos e os timbres dos instrumentos.

Ele citou exemplos específicos de alterações que o desagradaram. Na faixa “É com esse que eu vou”, o track do teclado RMI foi antecipado, prejudicando o final da canção. Em “Doente, Morena”, a inclusão de duas guitarras alterou o arranjo original. Já em “Oriente”, um corte súbito na voz de Elis foi percebido. Na música “Caçador de esmeraldas”, a percussão foi exagerada e um tímpano, que havia sido rejeitado na versão original, reapareceu de forma proeminente.

Apesar do protesto, do ponto de vista jurídico, a remixagem não apresenta problemas. João Marcello Bôscoli é herdeiro de Elis Regina, e os fonogramas do disco pertencem à Universal Music, que incorporou o acervo da Philips/Polygram. A questão levantada por Mariano é de ordem ética.

O debate central é se uma obra original deve ser mantida intacta ou se novas versões podem coexistir. Há quem defenda que remixes são válidos como alternativas sonoras, desde que a versão original permaneça acessível para as futuras gerações. A alteração de um álbum, mesmo com ganhos técnicos, muda a forma como ele foi concebido inicialmente.

Mariano, que em 2004 produziu a remixagem e remasterização do álbum “Elis & Tom” em 5.1 e DVD Áudio, ressaltou que sempre foi a favor da tecnologia bem utilizada, mas com respeito à obra original. Ele enfatizou que os planos técnicos do álbum “Elis” de 1973 foram aprovados pela própria Elis Regina.

A discussão, portanto, não busca culpados, mas sim ponderar sobre o direito dos criadores originais e a preservação da integridade artística frente às possibilidades tecnológicas e às novas interpretações.

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