Por que isso importa?
Para os fãs de longa data do W.A.S.P. e do heavy metal, a saga entre Chris Holmes e Blackie Lawless é um capítulo contínuo de desavenças. Esta nova declaração de Holmes não apenas reitera sua posição, mas também adiciona camadas à narrativa de conflito sobre direitos autorais e controle criativo. A recusa de Holmes em considerar um retorno, mesmo após anos, mostra as feridas abertas e a importância de questões financeiras e pessoais na dinâmica das bandas, especialmente aquelas com uma história tão rica e complexa.
Em uma nova entrevista ao programa Rock Interview Series, o ex-guitarrista do W.A.S.P., Chris Holmes, descartou de vez a possibilidade de retornar à banda, mesmo que o líder Blackie Lawless o convidasse. Holmes afirmou que seria “um idiota” em aceitar, citando disputas sobre direitos autorais e royalties como o principal motivo.
“Não. Não. Você sabe o que aconteceu com meus direitos autorais? Por que eu tocaria com ele de novo? Seria bem estúpido, não seria? Ele teria que me pagar meus direitos autorais [antes mesmo que eu considerasse voltar], e ele não vai fazer isso. Eu seria um idiota. Eu seria um idiota em voltar”, declarou Holmes, conforme transcrito pelo Blabbermouth.net.
O guitarrista relembrou um incidente em que, segundo ele, Blackie Lawless o enganou sobre os ganhos de royalties. “Estávamos na estrada, e [o então baterista do W.A.S.P.] Frankie Banali não ia fazer turnê a menos que recebesse 1.850 dólares por semana, certo? E eu estava recebendo 500 dólares por semana, certo? Fui até Blackie, ‘Bem, isso não parece certo. Eu sou um dos caras, os principais caras que as pessoas vêm ver, e Banali não. Mas ele está recebendo 1.850. Eu recebo quinhentos? Isso é quase quatro vezes mais.’ Blackie me abraça e diz, ‘Você vai ganhar mais com seus direitos autorais. Com o que você está preocupado?’ Quando ele sabia que estava pegando meu dinheiro. Quando ele sabia que já me registraram como músico de sessão. Que tipo de pessoa é essa? Você acha que eu gostaria de sentar em uma sala com aquele cara? Não. Não. Não. Então não vale a pena; não vale a pena para mim.”
Além das questões financeiras, Holmes descreveu Lawless como um “narcisista maligno” e expressou seu descontentamento com a performance ao vivo da banda a partir do álbum “Kill Fuck Die”, de 1997, devido ao uso de samples. “Me machucava no coração tocar, sabendo que eu estava fingindo para as pessoas – ou a banda estava fingindo. Eu não estava. Mas sabendo que estava fingindo. Eu realmente me odiava fazendo isso.”
Recentemente, Holmes cancelou uma turnê pelo Reino Unido e Escandinávia, agendada para maio de 2026, devido a um “pequeno problema na próstata” que exigiu atenção imediata. Em fevereiro de 2022, ele foi diagnosticado com câncer na garganta e pescoço, mas anunciou cinco meses depois que o câncer havia “desaparecido” após o tratamento.
Chris Holmes fez parte do W.A.S.P. de 1982 a 1990 e retornou entre 1996 e 2001. Ele não toca com a banda desde então. Em 2021, Holmes disse ao programa “Trunk Nation With Eddie Trunk” da SiriusXM que o W.A.S.P. foi “um grupo, uma banda” apenas no primeiro LP, tornando-se um “show de um homem só” a partir do segundo álbum.
Em uma entrevista de setembro de 2024 a Cassius Morris, Blackie Lawless foi questionado sobre o documentário de Holmes, “Mean Man: The Story Of Chris Holmes”, mas declarou não ter interesse em vê-lo. “Não tenho desejo de ver nada que tenha a ver com isso. Em primeiro lugar, você quer basear tudo o que vai fazer na vida na verdade. E sabe de uma coisa? Pode ser a verdade dele, mas a sua verdade não necessariamente a torna um fato.”
Lawless também reiterou sua rejeição a uma reunião da formação original do W.A.S.P. para a turnê de 40 anos do primeiro álbum. Ele elogiou os músicos atuais da banda, afirmando que são “músicos de classe mundial” e que um retorno à formação original seria “um passo para trás”.
Em outubro de 2020, Chris Holmes já havia declarado ao The Metal Voice que só consideraria uma reunião se Lawless pagasse os royalties que ele alegava dever. “Nunca recebi meus royalties, nem mesmo por minhas composições. Tudo o que escrevi, nunca recebi um centavo.” Ele explicou que foi registrado como músico de sessão nos álbuns, sem ter conhecimento. Holmes é autor das músicas “Two Faced Mother Fucker” e “The Truth”, que ele afirma serem sobre Blackie Lawless.
Em uma coletiva de imprensa em Moscou, em novembro de 2017, Lawless comparou a situação a um divórcio. “As pessoas se divorciam por certas razões, e há momentos em que os filhos querem que os pais voltem a ficar juntos, mas às vezes isso nunca acontece. E este é um desses [momentos]. Desculpe.”
(Via: Blabbermouth.net))



