Por que isso importa?
Para os amantes do soul e R&B, a partida de Clarence Carter, aos 90 anos, representa a perda de um artista que moldou o som da Muscle Shoals. Sua persistência em criar músicas autênticas, como “Patches” e o sucesso tardio de “Strokin'”, mesmo quando o cenário musical mudava e sua sonoridade não era “radiofônica”, mostra sua resiliência. A história de Carter, cego de nascença, que encontrou na música seu sustento e conforto, é um testemunho de sua paixão e talento.
O cantor de soul Clarence Carter faleceu aos 90 anos. A informação foi confirmada por Rodney Hall, presidente da FAME Studios, em Muscle Shoals, Alabama, estúdio que o artista frequentava regularmente, à Rolling Stone.
Um porta-voz da ex-esposa de Carter, Candi Staton, também revelou que ele havia sido diagnosticado recentemente com câncer de próstata em estágio quatro, além de lutar contra pneumonia e sepse.
Nascido cego em Montgomery, Alabama, em 1936, Carter se destacou no final dos anos 1960 com seu single “Slip Away”, que alcançou a sexta posição na Hot 100. Mais tarde naquele ano, “Back Door Santa” chegou à quarta posição na parada pop.
Em 1970, Carter lançou sua canção mais marcante, “Patches”, que também atingiu o quarto lugar nas paradas. Para ele, essa música foi o auge de sua carreira. Em 2010, ele afirmou: “Acho que ‘Patches’ realmente me gravou no mundo da música. Onde as pessoas provavelmente vão se lembrar de mim por muito tempo. Sempre quis isso, mas nunca soube que aconteceria dessa forma.” “Patches” também lhe rendeu um Grammy de “Melhor Canção R&B” em 1971.
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Crescer cego fez da música uma tábua de salvação para Carter, que era autodidata. Ele disse à NME: “Desde que perdi a visão, a música não só me divertiu e me deu o meu sustento, mas tem sido um tremendo conforto para mim. Quando estou para baixo e me sentindo mal, pego minha guitarra e canto.”
Antes da fama, ele se apresentou no circuito de clubes do Alabama com o também músico cego Calvin Scott. Embora a parceria não tenha tido sucesso comercial, o colocou no caminho para a grandeza.
Apesar de sua popularidade ter diminuído em meados da década de 70, quando seus sucessos pararam, Carter nunca suavizou o teor de suas músicas. Isso valeu a pena no final dos anos 1980, quando “Strokin'”, apesar de ser considerada muito explícita para o rádio, o trouxe de volta à relevância e vendeu mais de um milhão e meio de cópias.
Fora da música, Carter casou-se com Candi Staton em 1970, e juntos tiveram seu filho, Clarence Carter Jr., antes de se divorciarem em 1973 devido às infidelidades dele. Staton disse uma vez sobre o casamento: “Fiquei brava porque Clarence me fez tanto mal correndo atrás de mulheres. Podíamos estar andando na rua e elas vinham abraçá-lo. Eu cantei para me vingar dele.”
Mesmo assim, eles mantiveram uma relação positiva, com Staton escrevendo no Facebook em 2025: “Clarence Carter foi um marido incrível e é um homem tão brilhante. Tenho boas lembranças com ele.”
Carter deixa seus dois filhos, Clarence Carter Jr. e Herbert Deon Wilkerson.
(Via: Far Out Magazine)



