Família de Tupac Shakur entra com processo por homicídio culposo

Marcelo Scherer
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Marcelo Scherer
Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate...
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Tupac Shakur. in 1993. Al Pereira/Michael Ochs Archives/Getty Images
Por que isso importa?

Para os fãs de Tupac e para o público que acompanha o caso, este processo é um novo capítulo na busca por justiça e verdade. Quase 30 anos após sua morte, a alegação de uma "conspiração complexa" reabre o debate sobre um dos maiores mistérios da música. É a chance de desvendar mais detalhes sobre a morte de um artista que marcou gerações.


A família do rapper Tupac Shakur entrou com um processo por homicídio culposo, buscando indenização por danos não especificados relacionados à sua morte. A ação alega que o assassinato não foi “mera retaliação por uma altercação anterior”, mas sim parte de uma “conspiração complexa”.

Tupac, um dos artistas mais influentes dos anos 90, foi morto em 7 de setembro de 1996, após uma noite em Las Vegas. Ele e o CEO da Death Row Records, Suge Knight, haviam assistido a uma luta de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon. Naquela noite, houve uma briga entre eles e Orlando Anderson no MGM Grand Casino. Mais tarde, enquanto Tupac e Knight se dirigiam ao Club 662, um Cadillac branco se aproximou e alguém no banco traseiro atirou, atingindo Shakur quatro vezes. Ele faleceu no hospital seis dias depois, aos 25 anos.

Duane “Keefe D” Davis é a única pessoa presa em conexão com a morte de Tupac. Ele foi detido pela polícia em 2023 e, posteriormente, se declarou inocente de assassinato em primeiro grau. Davis é tio de Orlando Anderson, e a polícia alegou que ele planejou o tiroteio com seu sobrinho como retaliação pela altercação no cassino. Davis, um ex-líder da gangue South Side Compton Crips, teria “ordenado a morte” do rapper, e a polícia afirma que ele obteve a arma usada de um associado não identificado.

Em um acordo judicial de 2008, Davis admitiu que estava no Cadillac branco quando os tiros foram disparados. Os outros três homens que estavam no carro com ele, incluindo seu sobrinho, já faleceram. Davis manteve sua declaração de inocência e tentou suprimir evidências cruciais no caso, alegando que foram obtidas em uma “busca noturna ilegal”. Ele está programado para ser julgado em agosto, após vários adiamentos.

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O processo por homicídio culposo, movido pela família de Shakur, questiona a ideia de que o assassinato foi apenas uma retaliação. A família espera “descobrir e expor outros indivíduos que eles acreditam estarem envolvidos” na morte de Tupac. A ação foi protocolada em 28 de abril em Los Angeles por Maurice Shakur, irmão de Tupac, que atua como administrador do espólio no lugar de seu falecido pai, Mutulu.

“Quase 30 anos após a morte de Tupac, em 2023, a primeira – e única – prisão foi feita”, afirmam os documentos, conforme reportado pela BBC News. O processo também alega ter “revelado a existência de uma conspiração mais ampla e complexa para assassinar Tupac”, citando evidências em “transcrições relacionadas do grande júri e um documentário subsequente da Netflix”. Isso, segundo a família, prova que a morte foi intrincada e planejada, e não uma “mera retaliação por uma altercação anterior”.

O documentário mencionado é “Sean Combs: The Reckoning”, lançado na Netflix no ano passado. A produção focou nas alegações contra Sean “Diddy” Combs, mas também incluiu gravações de uma entrevista policial onde Davis afirmou que Combs lhe ofereceu US$ 1 milhão para assassinar Tupac. Combs negou qualquer envolvimento no assassinato do rapper várias vezes e classificou “The Reckoning” como uma “peça difamatória e vergonhosa”.

Após a prisão de Davis, imagens de uma entrevista de 2019 com ele ressurgiram, na qual ele relembrou os momentos finais antes da morte de Tupac em 1996.

(Via: NME)

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