Quem é o Drink The Sea? Banda de Peter Buck (R.E.M.) que fará show único em São Paulo

Marcelo Scherer
4 minutos de leitura
Drink The Sea. Crédito: Divulgação.

Drink The Sea é uma banda dos Estados Unidos formada como um supergrupo, daqueles encontros em que músicos com trajetória longa decidem criar repertório autoral e buscar um som novo, mais de clima e textura do que de refrão óbvio.

O nome mais conhecido é o de Peter Buck, guitarrista do R.E.M., e ao lado dele está Barrett Martin, baterista ligado à cena de Seattle (Screaming Trees e outras frentes). A ponte importante entre os dois é que essa parceria não começa aqui: antes do Drink The Sea, Buck e Martin já haviam dividido um outro projeto, o The Silverlites, que resultou em um álbum homônimo lançado em 2024.

Dá para pensar no The Silverlites como o terreno onde eles reacenderam a química de banda, e no Drink The Sea como o passo seguinte, quando a dupla decide se arriscar mais no formato e na paleta sonora.

A formação do Drink The Sea se completa com Alain Johannes, multi-instrumentista e produtor associado ao universo do Queens of the Stone Age, Duke Garwood, cantor e instrumentista britânico de voz grave, e Lisette Garcia na percussão. Em algumas divulgações, também aparece Abbey Blackwell no baixo, conectando o projeto a uma geração mais recente do indie.

A história do grupo, pelo que se entende do modo como ele foi apresentado, tem menos a ver com “montar uma banda” e mais com músicos espalhados, trocando ideias e camadas de som até virar um repertório que pede palco, volume e tempo para se revelar.

No som, a identidade do Drink The Sea é justamente essa vontade de ampliar o vocabulário do rock alternativo. Além de guitarras e bateria, entram timbres e instrumentos que apontam para outras tradições, criando faixas que funcionam quase como paisagens: repetição hipnótica, percussão com detalhe, e arranjos que podem crescer sem pressa.

Há menções a instrumentos como oud e sitar, além de referências a sonoridades de gamelão, o que ajuda a explicar por que muita gente descreve a banda como um rock de atmosfera, mais interessado em construir cena do que em “fechar” a música rápido. Ao vivo, essa proposta costuma ser reforçada com projeções visuais sincronizadas, puxando o show para uma experiência mais cinematográfica.

Em 2025, a banda apresentou esse universo com lançamentos que funcionam como porta de entrada, incluindo o single “Outside Again” e dois álbuns, “Drink The Sea I” e “Drink The Sea II”, que formam a base do repertório. É um tipo de projeto em que a experiência dos integrantes aparece menos como currículo e mais como linguagem: músicos que já passaram por palcos enormes, mas que aqui parecem buscar o risco controlado de tocar algo que ainda está ganhando forma.

Em São Paulo, o Drink The Sea se apresenta no dia 25 de março de 2026, na Casa Rockambole, em Pinheiros. Num espaço assim, a proposta da banda tende a fazer mais sentido: dá para ouvir os detalhes, perceber como as camadas se encaixam e como Buck e Martin, agora com a estrada recente do The Silverlites no corpo, conduzem uma banda que não está ali para repetir passado, e sim para testar um presente diferente.

Confira abaixo Drink The Sea I e II

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