A jornada de Steve Vai entre o estrelato e a essência

Luis Fernando Brod
3 minutos de leitura
Steve Vai. Crédito: Reprodução.

Para muitos músicos, o topo do sucesso é alcançar o status de “rockstar” em bandas de estádio. No entanto, para o virtuoso da guitarra Steve Vai, a trajetória entre o final dos anos 80 e o início dos 90 foi uma dança delicada entre a fama mundial e a necessidade visceral de honrar sua própria criatividade.

Em uma entrevista recente ao canal VRP Rocks, Vai detalhou os bastidores de um dos períodos mais produtivos e curiosos de sua carreira: a transição da banda de David Lee Roth para o Whitesnake.

O Risco de “Passion and Warfare”

Após a turnê do álbum “Skyscraper” com David Lee Roth, Steve Vai sentiu que precisava seguir seus instintos criativos ou “sucumbiria à depressão”. Ele decidiu dar as costas ao estrelato estabelecido para gravar o que viria a ser sua obra-prima solo, “Passion and Warfare“.

Na época, Vai acreditava sinceramente que estava “entregando sua carreira”. Ele via aquele projeto como algo denso, complexo e completamente diferente de tudo o que estava nas paradas, como os trabalhos de Joe Satriani ou Jeff Beck.

O Convite Irresistível do Whitesnake

Embora estivesse focado em sua música autoral, Vai enfrentava um dilema: ele não sabia como levar um álbum instrumental tão complexo para os palcos, sentindo-se mais confortável como o guitarrista de um grande frontman. Foi então que surgiu o convite para o Whitesnake.

A oportunidade era perfeita por dois motivos:

  1. O Momento: A banda estava no auge, vindo de um álbum que vendeu 25 milhões de cópias.
  2. A Voz: Vai sempre foi fascinado por grandes cantores, e descreve David Coverdale como um “monstro” que entregava performances “como um chefe” todas as noites.

A Experiência em “Slip of the Tongue”

Diferente de outros processos criativos, quando Vai entrou no Whitesnake, as músicas de “Slip of the Tongue” já estavam compostas. Sua função foi “colocar as guitarras” e imprimir sua identidade no som já estruturado.

Curiosamente, o guitarrista admite com honestidade que, na época, ele mesmo era a pessoa mais difícil de lidar no grupo, descrevendo-se como uma “primadonna” devido à bagagem que trouxe da era David Lee Roth e ao sucesso explosivo de seu disco solo, que aconteceu simultaneamente à turnê com o Whitesnake.

O Retorno às Origens

A parceria durou um álbum e uma turnê gigantesca. Quando Coverdale dissolveu a formação para resolver questões pessoais, Steve Vai sentiu que era o momento natural de voltar para a “música peculiar” que habitava sua mente.

A história de Steve Vai no Whitesnake é um lembrete de que, mesmo para os maiores gênios, o equilíbrio entre colaborar com gigantes e seguir a própria voz é o que define uma carreira lendária.


Assista ao vídeo original no canal VRP Rocks:

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