Júri considera Live Nation e Ticketmaster culpadas de monopólio

Marcelo Scherer
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Marcelo Scherer
Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate...
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Live Nation. The verdict in the antitrust trial could reshape the concert business, but it might take years

Um júri considerou a Live Nation e a Ticketmaster culpadas de operar como um monopólio, marcando uma decisão significativa que pode remodelar a indústria de entretenimento ao vivo. O veredito, proferido na quarta-feira, foi resultado de um processo movido pelo Departamento de Justiça dos EUA em 2024, com quase 40 estados como co-autores.

A Live Nation foi acusada de exercer grande influência sobre o setor de entretenimento ao vivo, devido às suas posições dominantes na venda de ingressos, promoção e gestão de locais. Testemunhos apresentados ao júri indicaram que a Live Nation ameaçava reter shows lucrativos de grandes casas de espetáculo que não assinassem acordos exclusivos com a Ticketmaster. Além disso, artistas que desejavam tocar em anfiteatros da Live Nation também precisavam usar a empresa como promotora.

A defesa da Live Nation argumentou que o sucesso da empresa veio por mérito próprio. Seus advogados afirmaram que o modelo de negócios multifacetado da Live Nation não era diferente dos concorrentes, e seu êxito se baseava na oferta de produtos e serviços de alta qualidade para artistas, fãs e proprietários de locais.

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O júri, no entanto, decidiu contra a Live Nation de forma contundente, com um sinal de “sim” em todas as caixas do formulário de veredito de 10 páginas. Jeffrey Kessler, advogado principal do caso após o Departamento de Justiça fazer um acordo durante o julgamento, afirmou em entrevista à Rolling Stone que foi uma “vitória total”.

As principais acusações se resumiram a saber se a Live Nation e a Ticketmaster tinham poder de monopólio sobre vários aspectos da indústria, como o mercado de venda de ingressos primários para grandes casas de shows e o mercado de grandes anfiteatros. O júri também confirmou a alegação dos estados de que a Live Nation “vinculou ilegalmente serviços de promoção de artistas” ao uso de seus anfiteatros. A empresa foi considerada culpada de “conduta ilegal que prejudicou a concorrência” em 33 estados co-autores, além de Washington D.C., e violou leis antitruste ou de práticas comerciais justas de vários estados.

A punição ainda não foi definida. O juiz Arun Subramanian determinará as soluções em uma segunda fase do processo, sem data clara. Os estados trabalharão nos próximos meses para apresentar uma proposta ao tribunal. As soluções podem incluir o desmembramento da Live Nation e da Ticketmaster, ou a exigência de que a Live Nation se desfaça de outros ativos, como alguns de seus locais.

Também são esperadas indenizações monetárias significativas. O júri concluiu que a Ticketmaster sobretaxou os fãs em média US$ 1,72 por ingresso. Esse valor servirá de base para o juiz Subramanian calcular as indenizações, que podem chegar a centenas de milhões de dólares, considerando milhões de ingressos em mais de 30 estados.

O acordo proposto pelo Departamento de Justiça, assinado por seis dos estados co-autores originais, ainda precisa da aprovação do juiz Subramanian, sob a Lei Tunney. Ele revisará o acordo para garantir que seja de interesse público.

Muitos criticaram o acordo inicial, argumentando que não foi suficiente. Embora a Live Nation tenha concordado com algumas concessões, como limitar contratos de exclusividade com locais a quatro anos e oferecer a opção de acordos não exclusivos, senadores e grupos da indústria, como a National Independent Venue Association, consideraram as medidas insuficientes. A senadora Amy Klobuchar, falando à Rolling Stone, sugeriu que a única forma de garantir a concorrência seria desmembrar a empresa.

Senadores democratas, incluindo Klobuchar, Elizabeth Warren e Cory Booker, pediram ao juiz Subramanian que “escrutinasse de perto” o acordo, citando relatórios sobre “circunstâncias suspeitas” e “pressão política” na negociação. O caso ganhou uma dimensão política considerável, com a Live Nation fazendo lobby junto à administração Trump. Reportagens do Wall Street Journal indicaram que o próprio presidente Trump interveio, resultando em um acordo após uma reunião na Casa Branca com o CEO da Live Nation, Michael Rapino, e funcionários do Departamento de Justiça.

O juiz Subramanian, que foi surpreendido pelo acordo, já havia pedido a retenção de “todas as comunicações relevantes” relacionadas à negociação.

A Live Nation confirmou que apelará da decisão, o que pode prolongar o caso por vários anos. A empresa também buscará moções pós-julgamento para alterar o veredito. Em comunicado, a Live Nation descreveu o veredito do júri como “não a última palavra”.

Para fãs, artistas e proprietários de locais independentes, o significado completo do veredito permanece incerto até que as soluções sejam definidas ou o apelo seja concluído. A indústria de entretenimento ao vivo pode mudar drasticamente, mas não imediatamente. Portanto, não se espera que os preços dos ingressos de shows diminuam tão cedo.

(Via: Rolling Stone)

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