Um júri dos Estados Unidos decidiu que a Live Nation e a Ticketmaster agiram para monopolizar o mercado de compra de ingressos para shows, resultando no aumento dos preços para os fãs. O veredito foi o culminar de um extenso julgamento contra as duas empresas, realizado em um tribunal federal de Nova York.
A decisão final estabeleceu que as empresas estavam impedindo a concorrência de outras plataformas que poderiam vender ingressos a preços mais justos. Segundo a CNN, o veredito valida as alegações feitas pelo Departamento de Justiça dos EUA e por 39 procuradores-gerais estaduais, que afirmaram que o controle da Live Nation e da Ticketmaster sobre a indústria de venda de ingressos prejudicou “praticamente todos os aspectos do ecossistema da música ao vivo”. Essa decisão se soma a outras ações legais que as empresas já enfrentam, como o processo da FTC por vendas ilegais.
Durante o julgamento prolongado, no qual os jurados debateram o veredito desde 10 de abril, um acordo surpreendente foi alcançado na semana passada entre o Departamento de Justiça e a Live Nation para certos estados dos EUA. O acordo inclui permitir que concorrentes como Seat Geek e StubHub tenham acesso a certas permissões de venda de ingressos para eventos.
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Além de um acordo de US$ 280 milhões em danos a serem pagos aos estados afetados, os termos do acordo também especificam que as taxas de serviço são limitadas a 15% e que as empresas devem abrir mão de acordos de reserva exclusivos com 13 locais. No entanto, o acordo ainda não foi totalmente finalizado, pois os termos ainda precisam ser aprovados por um juiz em tribunal.
A notícia do veredito surgiu no mesmo dia em que a Ticketmaster anunciou uma parceria com a empresa de software de inteligência artificial ChatGPT para lançar uma nova função em seu aplicativo, onde os clientes poderão fazer perguntas sobre seus ingressos e eventos com a assistência de um chatbot de IA.
Embora a última decisão afete apenas o funcionamento da Live Nation e da Ticketmaster nos EUA, a empresa também esteve sob escrutínio no Reino Unido após o escândalo do uso de precificação dinâmica para a venda de ingressos da turnê de reunião do Oasis, ocorrida em 2024. A Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) decidiu em setembro que, apesar de a empresa não ter violado a lei de proteção ao consumidor, precisava implementar mais processos para tornar a compra de ingressos mais transparente para os fãs.
Isso inclui liberar informações aos fãs 24 horas antes do início da venda de ingressos, caso a precificação em níveis seja usada, bem como atualizar os fãs durante as filas quando os ingressos mais baratos se esgotarem. A CMA também afirmou que a Ticketmaster não deve usar rótulos “enganosos” para comercializar um tipo de ingresso como sendo melhor do que outro quando não o são, e adicionou que monitorará de perto essa questão nos próximos dois anos.
Live Nation e Ticketmaster ainda não comentaram sobre a decisão do júri.
(Via: Far Out Magazine)



