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Resenhas de Discos

Madonna: “Confessions II” é uma pista lotada sem muita inovação, infelizmente.

Victor Persico
Victor Persico
3 de julho de 2026 5 min de leitura
Madonna - Confessions II Foto: Reprodução
Foto: Divulgação

Madonna retorna após sete anos com Confessions II, seu 15º álbum de estúdio e…

Se alguém me dissesse que haveria uma continuação de Confessions on a Dance Floor, de 2005, eu perguntaria: “Hã?”. O álbum não foi apenas um dos pontos altos de sua carreira, como também se consolidou como um marco do dance pop, em uma época em que a música eletrônica não inundava rádios e festivais e nem tínhamos a vaga ideia de que playlists estariam tão presentes em nosso cotidiano. Madonna estava à frente do seu tempo, isso não podemos negar.

Após grandiosas campanhas promocionais, parcerias e todo o marketing pesado, o álbum chega e, sendo honesto, está longe de ser algo ruim. Contudo, sua razão de existir parece bastante vaga.

Somos transportados para as pistas de dança com I Feel So Free, em batidas hipnóticas e atmosferas de transe meditativo, trazendo à tona a lembrança de uma Madonna que sabe criar momentos capazes de prender a atenção.

Logo em seguida, porém, parece que somos lançados em suas limitações. No decorrer do álbum, surge a sensação de que algumas músicas não foram totalmente finalizadas. E, acredite se quiser, esse é um padrão que se repete. Muitas ideias não levam a algum lugar realmente interessante, como seria de se esperar.

É legal que Madonna esteja lançando um disco? Ótimo, na verdade. Mas, depois de tantas especulações e expectativas, era de se esperar algo mais grandioso, digno de Madonna.

A mensagem repetitiva de que dançar é algo essencial deixaria até Fred Astaire e Gene Kelly passando talco nas coxas. A dança aparece como símbolo de liberdade, cura, autoconhecimento e encontro de identidade. O problema é que não há profundidade suficiente para entendermos a real mensagem. Tá ok, eu danço. E aí?

Se temos Louise Hay com seus livros de autoajuda, agora temos Madonna com seu disco de autoajuda, preso em um ciclo constante de slogans sem reflexões novas ou reveladoras.

Convenhamos: a transcendência através da música eletrônica já foi — e continua sendo — abordada de forma mais rica e até mais bonita nos últimos tempos. Confessions II chega atrasado, repetindo ideias que já foram exploradas por artistas como FKA twigs e Beyoncé.

Apesar de tudo, musicalmente Stuart Price merece destaque. O álbum passeia livremente pela house music, pelo trip hop e pelos breakbeats. Porém, são justamente algumas dessas passagens que não soam inovadoras. As participações especiais ajudam por um lado: Sabrina Carpenter funciona de maneira agradável e eficiente em Bring Your Love.

Feid se esforça para inserir latinidade ao projeto, mas o resultado acaba soando comum. Martin Garrix segue o mesmo caminho em Bizarre: falta originalidade.

Danceteria é nostálgica. Em um vislumbre da cena clubber de Nova York dos anos 1980, encontramos personagens, lugares e episódios narrados com entusiasmo. É a única faixa do álbum em que todo o discurso sobre o que a dança representa ganha um contexto real.

Fragile, dedicada ao irmão Christopher, falecido em 2024, mergulha em uma melancolia sincera. As cordas e a produção delicada trazem emoção genuína em um momento em que o álbum começa a diminuir o ritmo.

Destaque também para The Test, gravada com sua filha Lola. É um dos momentos mais emocionais do disco, algo que parecia ausente na primeira metade do álbum.

Em L.E.S. Girl não há batidas, refrões explosivos ou a pretensão de soar moderna. Em vez disso, Madonna revisita a época das vacas magras em Nova York.

Confessions II nos entrega um álbum dividido entre questionamentos sobre produção, letras e os objetivos que Madonna queria atingir, enquanto deixa transparecer a percepção de que o tempo passou. É como se Madonna mergulhasse na própria história para compreender o sucesso, o envelhecimento, a memória e a sobrevivência.

Há combustível no tanque de Madonna? Sim. São mais de quatro décadas de carreira em que ela desafiou padrões, moldou tendências, fincou o pé, acelerou e desacelerou quando foi necessário. O projeto pode agradar ou desagradar. Ou pode acabar sendo apenas mais um trabalho em sua discografia.

A energia e os melhores momentos do álbum parecem mais íntimos e, talvez por isso, mais fáceis de gerar identificação a partir da metade do disco.

Deste modo, Madonna não precisa provar sua relevância. Talvez não precise nem se aprofundar tanto e apenas ser direta, como sempre foi. Confessions II é um álbum que, mesmo entusiasmando em alguns momentos, acaba desestimulando pela repetição.

E vamos aguardar os próximos capítulos. Sabemos que Madonna pode mais.

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