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Resenhas de Discos

Rachel Spencer faz mais do que é certo no universo jazzístico.

5 min de leitura
Rachel Spencer - The Next Right Thing Foto: Divulgação
Foto: Rachel Spencer – The Next Right Thing Foto: Divulgação

Rachel Spencer é um nome desconhecido por aqui? Sim. Mas aposto que se ela se tornará uma grata surpresa nos primeiros segundos de The Next Right Thing, que será lançado no dia 25 de setembro.

E, senhoras e senhroes, que álbum maravilhoso!

Em seu site ela cita “esta obra celebra a coragem universal necessária para dar o próximo passo e honra o dever do artista de sempre contribuir com um pouco de bem para o mundo“. Musicista e educadora, Dra. Rachel Spencer entrega aquele que após a primeira audição fez-me cair em total modo de encantamento.

Em seu primeiro trabalho ela incorpora uma estrela flamejante cheia de técnica, fazendo com que dê a impressão de que, comparado com o que tenho ouvido no gênero, neste álbum é um triunfo de espetáculo, do início ao fim. Rachel Spencer conhece com precisão o delicado equilíbrio entre sentido, ritmo e melodia.

De modo acelerado, porém moderado, o brilhantismo do álbum te envolve na faixa título. Steamrollin’, que virá a ser lançada como single nos próximos dias, segue a mesma linha até sermos arrebatados com a delicadeza de Liminal Spaces.

Queen Of Cups chega na metade do álbum e, se não beira o perfeccionismo do bom gosto, ela faz seus ouvidos apaixonarem, seja pelo casamento dos instrumentos de sopro quanto o piano floreando durante a faixa.

Bias te pega de jeito em sete minutos de modo hipnotizante. Nascida no pós pandemia, em meio ao existente universo preconceituoso de mulher em um gênero dominado por homens, ela entrega seu recado. E, cá entre nós, Rachel Spencer está melhor, mais acessível e melodiosa que muitos por aí. Sim, eu tomei o partido dela.

I Can’t Almost Remember vem da mesma fonte de How Deep Is The Ocean, de Blue Mitchell. Explora o conceito de aprender a encontrar admiração e alegria infantil através da arte e música, apesar do peso que carrega hoje.

Com o álbum inteiro feito de modo tão íntimo, Essential Company nasceu de seus dois gatos, o que logo se tornou uma homenagem à todos os seres que a inspira a fazer o seu melhor.

Há muito tempo que não ouço um disco que cause um impacto tão obssessivo como The Next Right Thing, principalmente pelo jazz que, mesmo tendo meus favoritos, não pegou tanto no meu emocional.

Rachel Spencer sobre com toda a graciosidade delicidada os degraus do meu pantheon do jazz para estar ao lado de Maynard Fergunson, Wynton Marsalis e Chet Baker.

Caso ela leia, pode pensar “nossa, que exagero”. Acredite, não é.

Se há um adjetivo para este álbum, o mais certeiro seria “Perfeição”. Para quem ainda duvida, veja o vídeo abaixo.

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