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Massive Attack rejeita convite para Coachella 2025 por razões ambientais

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
19 de dezembro de 2024 5 min de leitura
Massive Attack. Crédito: Warren Du Preez.
Foto: Divulgação

Os pioneiros do trip-hop Massive Attack recusaram um convite para se apresentar no festival Coachella 2025, citando preocupações ambientais como principal motivo. Conhecidos por sua postura ativista, Robert “3D” Del Naja e Grant “Daddy G” Marshall reforçaram seu compromisso com práticas sustentáveis na indústria da música, destacando os impactos ambientais de eventos como o realizado no deserto da Califórnia.

“Já estivemos lá uma vez, e foi o suficiente”, explicou Del Naja, em entrevista recente. “Coachella acontece em Palm Springs, um resort de golfe construído no deserto, sustentado por um sistema de irrigação e que utiliza recursos hídricos públicos. É insano. Se você quer ver um exemplo do comportamento humano mais absurdo, está bem ali”, segundo apontado pela Far Out Magazine.

A postura do Massive Attack não é surpresa para quem acompanha o grupo. Em 2021, eles divulgaram um relatório encomendado ao prestigiado Tyndall Centre for Climate Change Research, que mapeou a pegada de carbono de turnês musicais e as emissões de CO₂ geradas pelo setor. O estudo também apresentou recomendações para alinhar a indústria aos objetivos do Acordo de Paris.

Com base nessas diretrizes, a banda de Bristol tornou-se a primeira a comprometer suas empresas de turnê com o cronograma de redução de emissões do programa Race to Zero da ONU. Em agosto de 2024, realizaram o evento Act 1.5 em Bristol, descrito como um “acelerador de ação climática em larga escala” que implementou 25 medidas para reduzir emissões. Entre as ações estavam incentivos para o público local e viajantes de trem, uso exclusivo de energia renovável no local e a oferta de alimentos 100% à base de plantas.

No mês de novembro, o Massive Attack foi a atração principal do evento Act 1.5 em Liverpool, a primeira cidade nomeada pela ONU como “Cidade Aceleradora de Ação Climática”. O show inovou ao introduzir novas abordagens para minimizar a pegada de carbono em eventos ao vivo, consolidando o papel do grupo como pioneiro nessa área.

Além de recusar o Coachella, Del Naja também criticou outros aspectos da indústria musical. Ele condenou residências de artistas em Las Vegas, chamando a cidade de um “destino de aviação no deserto”, e fez ressalvas ao futurístico MSG Sphere, onde bandas como U2 têm se apresentado. “É uma estrutura brilhante no pior lugar possível — no pior cenário do mundo”, afirmou o artista, conhecido por seu ativismo direto.

O posicionamento do Massive Attack vai além das palavras e reafirma sua liderança na luta por um setor musical mais sustentável. A decisão de recusar o Coachella não é apenas um gesto simbólico, mas um chamado para que artistas e organizadores repensem suas práticas em um momento em que a crise climática exige ações concretas.

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