Metric lança “Romanticize The Dive”, décimo álbum que se reconecta às suas raízes

Victor Persico
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Victor Persico
Jornalista, especialista em cultura pop, rock clássico e vertentes. Com um olhar analítico para a indústria contemporânea, acompanha de perto os novos lançamentos, resenhas de discos...
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Metric - Romanticize The Dive Foto: Divulgação

O Metric está na praça com o novo álbum, Romanticize The Dive. Enquanto há discos que ficam em uma nostalgia vazia e outros que olham para trás com coragem, o novo trabalho da banda segue na segunda categoria.

Lançado na última sexta-feira, o disco é o reencontro emocional e sonoro da banda canadense com suas próprias origens. Depois de uma turnê comemorativa tocando “Fantasies”, de 2009, na íntegra, Emily Haines, Jimmy Shaw, Joshua Winstead e Joules Scott Key voltam para onde tudo começou: Nova York. E no lendário Electric Lady Studios, com Gavin Brown na produção.

Como resultado, não é uma tentativa cínica de capitalizar uma nostalgia perdida de uma geração que ainda segue fascinada por uma estética indie que para muitos já está perdida. O trabalho é honesto e arriscado, mostrando a linha tênue entre o que eles foram e quem são agora.

Após uma introspecção sombria enquanto flertavam com outras produções, o Metric retorna, e de modo avassalador, ao rock de estádio com coração frágil e alma marcada.

“Victim Of Luck”, que recebeu um videoclipe, e “Wild Rut” sintetizam as virtudes do Metric de um modo que tira o fôlego. Equilibrando-se entre o new wave e o power pop, com guitarras cristalinas, baterias trovejantes e sintetizadores pulsantes, vemos Emily entregando tudo de si. A segunda faixa se mostra sombria, com mágoa personificada e um clímax anthêmico devastador.

“Tremolo” também ganha destaque, com a própria Emily explicando que a faixa é sobre se libertar da fixação no que poderia ter sido e aceitar o quão pouco controlamos. “Por que não segui outro caminho na encruzilhada? Bola de cristal que ninguém pode ver. Todos esses pontos de interrogação, o que poderia ter sido, deixe-os na pista molhada, dance comigo”, diz a letra.

O álbum percorre desde um rock poderoso em “Time Is A Bomb” até o synth pop e indie rock de “Loyal” e “Crush Forever”. Segundo a própria Emily, “Crush Forever é a minha carta de amor às garotas fortes deste mundo”.

Se há algum álbum que podemos indicar com toda a firmeza neste momento, é o novo do Metric, que não deve ser passado em branco e merece totalmente seus ouvidos. A prova fica para “Clouds To Break”, que chega ao épico com um alcance vocal primoroso, cheio de emoções brutas que, se reproduzido em um estádio, seria sentido da primeira até a última fileira.

Já existente há duas décadas, e com a mesma formação o que é incrível, o Metric nunca baixou a cabeça para grandes gravadoras. O caminho que seguiram foi a criação do próprio selo e um controle sobre seu catálogo. Em uma visão baseado em cima do mercado musical atual, isso é uma postura revolucionária.

Como a própria Pitchfork, que parece estar cada vez mais difícil de agradar, disse sobre o Metric: “é um ícone do indie rock canadense construindo uma história de sucesso cada vez mais rara”.

Agora, se a própria Pitchfork está sendo amável com alguém, e não colocando notas baixas à rodo, como fez incansavelmente e de modo injusto inúmeras vezes, tu achas que não merece os ouvidos?

Emily Haines está no mesmo patamar que Hayley Williams, querendo ou não.

Romanticize The Dive é mais um álbum que prova que o indie rock, quando tocado com ousadia e emocional aflorado, faz toda a diferença. Principalmente em um momento em que tudo parece soar requentado.

As duas primeiras faixas já dizem por si só. Se fossem apenas elas para o álbum todo estava ótimo. E ainda bem que não é. O disco se liga e não cansa.

Neste caso, passado e presente conversam, se informam e se completam. E o Metric soube usar isso melhor do que ninguém.

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