Glen Matlock, baixista fundador dos Sex Pistols, classificou como “estranho” o número crescente de punks que apoiam Donald Trump e elogiou o trio irlandês Kneecap durante entrevista ao programa Today, da BBC Radio 4.
Ao recordar o surgimento do punk, Matlock, 69 anos, disse que o movimento nasceu de uma insatisfação geral e se surpreende ao ver “muitos punks no Facebook a favor de Trump”, citando indiretamente o ex-vocalista da banda, John Lydon, que já descreveu o ex-presidente dos EUA como “o Sex Pistols da política”.
Questionado sobre a existência de música de guitarra realmente rebelde hoje, o músico afirmou que ela persiste, mas sofre para alcançar o mainstream. Ele apontou o Kneecap, que mistura rap e espírito contestador, como exemplo de artistas que ainda “empurram os limites”.
As palavras contrastam com declarações recentes de Lydon, que vê em Trump e em figuras como Nigel Farage uma nova forma de rebeldia. Em maio, o vocalista criticou o Kneecap após shows nos quais o grupo manifestou apoio à Palestina, chegando a dizer que os integrantes mereciam “um bom joelho quebrado”.
Pelo X (antigo Twitter), o Kneecap reagiu ao retorno de Matlock, chamando-o de “muito mais sensato que Johnny Rotten”.
Matlock também reiterou críticas feitas em 2024, quando lançou o álbum solo “Consequences Coming”, afirmando que políticos de direita acabarão enfrentando as consequências de suas ações.
Enquanto os Sex Pistols preparam turnê comemorativa de 50 anos com Frank Carter nos vocais, o Kneecap prometeu um novo disco para 2026, após vencer processo por suposto crime de terrorismo.



