Sienna Rose, artista criada por inteligência artificial, ganhou destaque ao colocar três músicas simultaneamente na playlist Viral 50 EUA do Spotify.
Com 2,7 milhões de ouvintes mensais, o perfil descreve Rose como cantora neo-soul anônima que mistura a elegância do soul clássico com a vulnerabilidade do R&B moderno. As faixas “Into The Blue”, “Safe With You” e “Where Your Warmth Begins” ocupam posições de destaque na lista; esta última chegou a embalar um post de Selena Gomez sobre o Globo de Ouro em 13 de janeiro, depois removido pela artista.
An AI artist named Sienna Rose has 3 songs getting streamed in the Spotify top 50 and I'm pretty sure nobody knows it's an AI artist
— Ahmed/The Ears/IG: BigBizTheGod 🇸🇴 (@big_business_) January 13, 2026
Selena Gomez just posted one of the songs on her Instagram for the Golden Globes pic.twitter.com/UVNfuXRCLq
Entre setembro e dezembro do ano passado, Rose lançou dez álbuns. À revista Rolling Stone, a plataforma Deezer informou ter identificado grande parte desse catálogo como conteúdo de IA. O site Consequence observou ainda que o perfil já exibiu uma imagem de mulher branca com violão antes de excluir o material antigo do Spotify.
A escalada de músicas geradas por algoritmos não é inédita. Em novembro, “Walk My Walk”, do também virtual Breaking Rust, liderou a parada Country Digital Songs da Billboard e a própria Viral 50. A reação do mercado tem sido diversa: na semana passada, o Bandcamp proibiu faixas criadas totalmente ou em grande parte por IA, reservando-se o direito de removê-las após denúncia.
Preocupações sobre transparência e direitos autorais se intensificam. Pesquisa da Deezer citada no relatório indica que 97 % dos ouvintes não conseguem distinguir entre gravações humanas e artificiais, enquanto artistas como Kehlani e a banda Holding Absence alertam para o risco de serem ultrapassados por projetos sintéticos em apenas alguns meses.



