35 anos de Facelift do Alice In Chains | RD #073

Marcelo Scherer
8 minutos de leitura
Capa Redação DISCONECTA sobre "Facelift" do Alice In Chains.

No mais recente episódio do podcast Redação DISCONECTA, os hosts Luis Fernando Brod, Marcelo Scherer e Julio Mauro mergulharam na história e no impacto do álbum “Facelift” do Alice in Chains, celebrando seus 35 anos. A discussão revelou a importância seminal deste disco para o movimento grunge e para a história do rock.

“Facelift”: Um álbum seminal para o grunge e o metal

O podcast enfatiza a importância de “Facelift” como um álbum seminal que marcou o início de um novo estilo no começo dos anos 90, sendo “muito importante para toda uma geração de bandas e para uma geração de adolescentes também”. É descrito como o “pontapé inicial do do Grande disco que iniciou essa nova era”. Embora o grunge fosse apenas um “adjetivo” para as bandas de Seattle, o Alice in Chains se destacou com uma sonoridade mais “metal, diferenciando-se do punk do Nirvana, do lado “Bruce Springsteen-iano” do Pearl Jam e do peso do Soundgarden.

A trajetória inicial da banda: Do glam rock ao som único

A banda teve suas origens nos anos 80, sob outro nome e com diferentes integrantes, com um estilo “Glame Rock total, com maquiagem, cabelo cheio de laquê e roupas de época”. A química entre Lane Staley, o único integrante da formação inicial que permaneceu, e Jerry Cantrell foi “instantânea”, levando à formação do Alice in Chains.

Os primeiros passos foram cruciais: o single “We Die Young”, lançado em 1989 (ou como demo em 1988), impressionou a Columbia Records. A gravadora assinou a banda mesmo sem muitas músicas prontas, baseada na demo “Tree House Tapes”, produzida por Kelly Curtis, que tinha ligações com o Soundgarden. A sonoridade de “Facelift” é caracterizada por um som “denso, pesado e arrastado”, com riffs de guitarra e solos que remetem ao Black Sabbath. O próprio Ozzy Osbourne é um fã declarado do álbum, que ele considera um de seus 10 discos favoritos.

O impacto de “Man in the Box” e o sucesso comercial

A música “Man in the Box” foi um divisor de águas. Lançada em 1990, ganhou enorme destaque na MTV a partir de 1991, sendo tocada “insistentemente até enjoar”. As vendas iniciais foram modestas, com 40.000 cópias na primeira semana, mas após a exposição na MTV, o álbum atingiu 400.000 cópias vendidas em seis meses. “Foi o primeiro álbum de Grunch a receber um disco de ouro”. Alcançou a posição 42 na Billboard entre 1990 e 1991, um feito notável para uma banda de estreia. No relançamento de 30 anos, chegou à posição 9, atingindo multiplatina. “Facelift” é considerado o disco que “abriu as portas para as outras bandas” do movimento grunge.

Temas líricos sombrios e pessoais

As letras do disco abordam temas pesados como “relacionamento mais conturbado”, “sofrência” e “relação tóxica”. A faixa “Love Hate Love” é destacada como uma das preferidas por sua profundidade nesses temas. “Man in the Box” é interpretada como uma denúncia do “controle da mídia” e da tentativa de forçar uma visão única. A questão das drogas e do vício também é presente nas letras, com uma música (possivelmente “Real Thing”) que “já fala sobre essa coisa da droga, da pessoa tentar se livrar desse vício”.

Os hosts do Redação DISCONECTA relacionam as letras de Lane Staley ao “lado obscuro dele próprio”, com letras pesadas que parecem de “alguém que sofreu 40, 50 anos”. O grunge é considerado a “geração zero de problemas mentais, de botar para fora todo esse sofrimento”.

Lane Staley: A voz inconfundível e o trágico fim

A voz de Lane Staley, combinada com a de Jerry Cantrell, é descrita como a “assinatura sonora” da banda. Staley tinha um “drive poderoso” que lhe permitia atingir notas altas e mantê-las por longos períodos, com um “drive muito punk”.

No entanto, o vício em drogas, especialmente heroína – uma substância “muito mais autodestrutiva” e comum nos anos 90 – acompanhou Lane Staley. Sua morte por overdose aos 34 anos foi uma “perda irreparável para o mundo da música”, sendo considerado “um dos top five” vocalistas de sua geração. Embora Jerry Cantrell tenha assumido os vocais e a banda continue com William DuVall, “não existe substituto à altura” para Lane Staley, cuja voz era a essência do Alice in Chains.

Curiosidades e destaques do álbum

  • Lane Staley e o funk/soul: Curiosamente, Lane Staley tocou em uma banda de funk/soul antes do Alice in Chains, e uma faixa de “Facelift” pode remeter a esse período.
  • Shaun Kinney e o pulso quebrado: O baterista Shaun Kinney, o último a entrar na banda, gravou o disco com o pulso quebrado, utilizando baldes de gelo para conseguir tocar.
  • Capa do álbum: A capa, que destaca o baixista Mike Starr, foi resultado de uma experimentação do fotógrafo, que inicialmente queria simular um “renascimento” com os integrantes em uma piscina com plástico.
  • “I Can’t Remember”: Uma música mais calma, com violão, que remete ao EP “Jar of Flies” (mais acústico) e surpreendeu os apresentadores pela sua qualidade.
  • “No Something”: A penúltima faixa do disco, que “lembrou um pouco” do Red Hot Chili Peppers em sua fase inicial com “Uplift Mofo Party Plan”.
  • Diferença para “Dirt”: Embora “Dirt” seja um álbum amado, “Facelift” é considerado “mais redondo” e “bom do início ao fim” pelos apresentadores.
  • Unplugged: O álbum acústico “Unplugged” é elogiado como um dos melhores, tornando o som do Alice in Chains “ainda mais soturno”. Curiosamente, não há músicas de “Facelift” no “Unplugged”.
  • Produção e “Man in the Box”: O produtor do disco foi influenciado por Rich Sambora (Bon Jovi) e o uso do Talk Box em “Living on a Prayer”, incentivando Jerry Cantrell a utilizá-lo em “Man in the Box”.

Considerações finais

“Facelift” é um álbum “redondinho”, que “não fica massante” apesar de quase uma hora de duração. É um disco com temas “pesados”, que exigem “cuidado” ao prestar atenção nas letras para não ficar “para baixo”. O Redação DISCONECTA celebra a importância duradoura do álbum e o legado de Lane Staley, cujo talento marcou uma geração, apesar de sua trágica partida.

Compartilhar esse epiósdio
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *