João Marcello Bôscoli considera ação judicial contra Cesar Camargo Mariano

Luis Fernando Brod
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Luis Fernando Brod
Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a...
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Elis Regina. Crédito: Reprodução

João Marcello Bôscoli, filho de Elis Regina, avalia iniciar uma ação judicial contra o músico Cesar Camargo Mariano. A medida surge após críticas de Mariano à remasterização do álbum “Elis 73”, que Bôscoli considera prejudiciais ao legado da cantora. Para analisar o caso, João Marcello contratou um renomado escritório de advocacia.

Cesar Camargo Mariano, que foi marido e arranjador de Elis Regina por quase uma década e é pai de dois de seus filhos, expressou publicamente sua indignação. Em sua conta no Instagram, ele afirmou que João Marcello e o engenheiro de som Ricardo Camera “jogaram no lixo” o projeto original do disco. Em resposta, Mariano contratou a advogada Deborah Sztajnberg e notificou extrajudicialmente a gravadora Universal, detentora da obra da cantora.

A principal queixa de Cesar é a falta de consulta prévia às intervenções na remasterização, alegando que, como um dos arranjadores, deveria ter sido contatado. Ele aponta alterações específicas que o desagradaram, como a inclusão de duas guitarras sobrepostas na faixa “Doente Morena”, o uso de um tímpano não aproveitado na gravação original de “Caçador de Esmeraldas”, e o corte do artigo “a” na frase “a possibilidade de ir pro Japão” na música “Oriente”. Segundo Mariano, essas modificações não deveriam ser feitas por terceiros.

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João Marcello Bôscoli contesta as alegações, afirmando que Cesar não é o único arranjador do álbum. Ele ressalta que o trabalho original não foi descartado, pois o disco de 1973 permanece disponível nas plataformas. Bôscoli também enfatiza que a família de Elis Regina – ele e os irmãos Pedro Mariano e Maria Rita – não precisa de autorização do pianista para lançamentos relacionados à obra da mãe, já que Cesar não é herdeiro da cantora.

Pedro Mariano, que supervisiona os vocais no projeto de remasterização, também se manifestou nas redes sociais. Ele declarou que qualquer projeto de Elis Regina que esteja no ar foi aprovado pelos herdeiros, considerando a questão “ponto pacífico”.

João Marcello Bôscoli enxerga as atitudes de Cesar como causadoras de desgastes para a família e potenciais prejuízos aos esforços para manter o nome de Elis Regina relevante. Ele revelou que decidiu não lançar mais álbuns de Elis que contenham o nome de Cesar Mariano na ficha técnica, limitando futuros relançamentos a discos anteriores a 1971.

A notificação extrajudicial deve levar a um encontro entre a Universal e Cesar Camargo Mariano. As possíveis resoluções incluem um acordo financeiro, a retirada do álbum das plataformas, ou alterações no disco para atender às demandas de Cesar. O caso levanta discussões sobre os direitos autorais dos arranjadores, já que a legislação brasileira não concede a eles poder de veto ou autorização sobre regravações de obras.

João Marcello informou que fará uma nova audição da remasterização de “Elis 73” com Pedro Mariano e Ricardo Camera para realizar ajustes em detalhes que possam ser aprimorados. Ele assegura que esse procedimento é praxe e não uma resposta às contestações de Cesar. Entre as modificações consideradas, o “a” na música “Oriente” deve ser revisto para soar melhor. No entanto, as duas guitarras em “Doente Morena” devem ser mantidas na remasterização.

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