Megadeth: 10 anos de “Dystopia”

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O Megadeth passava por um momento muito curioso por volta de meados da década de 2010: em 2013, lançaram Super Collider, seu 14º trabalho de estúdio que, ao mesmo tempo, foi execrado pela crítica e pelos fãs, mas também foi sua maior estreia na Billboard desde Youthanasia, de 1994, largando na 6ª posição (e indo para a 39ª na semana seguinte).

Essa recepção, porém, não abalou Dave Mustaine, guitarrista, vocalista e líder, que passou a planejar por uma sequência junto aos demais integrantes pouco depois do lançamento desse último, motivados pela partida de Jeff Hanneman, saudoso guitarrista do Slayer que nos deixou em decorrência de cirrose ainda em 2013, no dia 2 de maio.

No entanto, uma série de contratempos e problemas mudaram tudo para eles em 2014: enquanto o registro se encontrava em pré-produção, o baixista Dave Ellefson perdeu o irmão para um câncer de garganta, levando-os a cancelar compromissos na época; Mustaine, por sua vez, perdeu a sogra, acometida por Alzheimer e que desapareceu em 3 de outubro, com seus restos mortais sendo encontrados só em 26 de novembro.

No mesmo mês, o guitarrista Chris Broderick e o baterista Shawn Drover surpreenderam ao anunciar sua saída conjunta do grupo, passando a integrar o (hoje já encerrado) Act of Defiance logo após, deixando a banda sem dois importantes integrantes, que ajudaram a definir seu som ao longo dos anos 2000 e 2010.

Ainda assim, os problemas não abalaram os planos de Mustaine e Ellefson, com o último vindo a público ao início de 2015 para anunciar que ainda estavam trabalhando em um novo álbum. Mais mudanças ocorreriam nos bastidores: não planejavam trabalhar novamente com Johnny K., responsável pelos dois anteriores, Super Collider e Thirteen, e a ideia era reunir os responsáveis por clássicos da era Rust in Peace (na década de 1990), chamando o produtor Max Norman, o guitarrista Marty Friedman e o hoje saudoso baterista Nick Menza.

A ideia não foi para frente, porém, devido a inúmeros fatores que não os fizeram chegar em um acordo. Por isso, seguiram com um plano B e logo anunciaram, em março daquele ano, que teria produção de Chris Rakestraw, com bateria por Chris Adler, ex-Lamb of God e, ao lado de Mustaine na guitarra, o brasileiro Kiko Loureiro, cofundador do Angra que os deixou para ser parte do grupo.

Fechados os integrantes, entraram em estúdio localizado no Tennessee, estado dos EUA, em abril e ali permaneceram até julho, quando finalizaram as gravações. E embora Dave Ellefson houvesse declarado no começo daquele ano que já tinham tudo, houve espaço para Kiko colaborar, ao ponto de ser creditado como coautor de 3 faixas na versão final: Post American World, Poisonous Shadows e Conquer or Die!.

A divulgação começou só em 2 de outubro, quando soltaram Fatal Illusion apenas como áudio. Uma nova música, The Threat Is Real, só viria em 26 de novembro junto ao 1º clipe dessa leva. Na sequência, foi a vez da faixa-título, que saiu poucos dias antes do lançamento completo, em 7 de janeiro.

Dystopia enfim saiu há 10 anos, em 22 de janeiro de 2016, após adiantamento da data inicial prevista de 29 daquele mês, apesar do adiamento de quase 1 ano da previsão inicial, que era para o ano anterior. Ainda assim, estreou no 3º lugar dos rankings da Billboard, superando seu antecessor em todos os sentidos comerciais. Isso também foi o caso para a recepção crítica, que elogiou o álbum, considerando-o como um “retorno à boa forma” após o feito em Super Collider.

Hoje, até dá para entender as intenções do Megadeth naquela época, mas é inegável que esse foi melhor em tudo: riffs, solos, peso, agressividade… Mesmo a cozinha soa mais adequada. A destreza de Kiko Loureiro com as 6 cordas também foi sentida, tendo ele conferido uma nova identidade às faixas da banda, algo bem próprio seu e que já podia ser ouvido ao longo dos anos com o Angra, mas que caiu como uma luva aqui.

A fase Dystopia não durou muito: Chris Adler logo foi substituído por Dirk Verbeuren (ex-Soilwork); Dave Ellefson foi demitido em 2021 após polêmicas, com Steve Di Giorgio (Testament) regravando o que já estava pronto para o trabalho seguinte, The Sick, the Dying… and the Dead!, de 2022, com James LoMenzo retornando pouco depois; e Kiko sendo substituído por Teemu Mäntysaari (ex-Wintersun) em 2024. Ainda assim, inegável que o álbum foi essencial para o Megadeth se reerguer e ter mais dignidade para concluir sua trajetória que, em estúdio, se encerra nessa sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, com seu autointitulado. Acima de tudo, fizeram isso com estilo e qualidade, como deveria ser.

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