Megadeth: A despedida agridoce em último álbum

Victor Persico
5 minutos de leitura
Megadeth - Megadeth (2026) Foto; Reprodução

O Megadeth chega com seu décimo sétimo trabalho de estúdio. E, como foi anunciado por Dave Mustaine, o último trabalho da banda. O único que irá contar com Teemu Mäntysaari levantou as expectativas após o lançamento dos singles Tipping Point, que abre o álbum, I Don’t Care, Let There Be Shred e Puppet Parade.

Após seu anúncio, em agosto do ano passado, veio a pancada de que o álbum seria acompanhado por uma turnê de despedida. E, conhecendo Dave Mustaine, é capaz que seja, mesmo que ele viva por mil anos. Apesar desse ar turbulento de despedida para uma das principais bandas de heavy/thrash metal da história, é inegável o trabalho estupendo.

Recheado de riffs, baterias aceleradas, baixos pulsantes e tudo que nós esperamos do Megadeth, é estranho imaginar Mustaine indo em direção à uma porta escrito “Saída” em cima.

Megadeth – Faixa a Faixa

Com os vocais de um Dave Mustaine já envelhecido, sem alcançar todo aquele poder dos álbuns clássicos, já deixamos claro que isso é algo que não importa. O rosnado característico ainda está aí, após vencer um câncer na garganta. Em certas faixas, como I Don’t Care, ele entrega em uma bandeja elementos clássicos do Megadeth.

Hey God? tem o que queremos: melodias poderosas e solos dobrados. Aliás, a faixa se encaixaria perfeitamente em Youthanasia. Não há exagero, mas é exatamente o que queremos.

Let There Be Shred estoura qualquer oportunidade de declínio. Intensidade, bateria acelerada e um vislumbre dos 220 volts dos tempos gigantescos do Megadeth. O casamento de Mustaine e Mäntysaari beira a perfeição, principalmente nos solos. Uma das faixas mais sensacionais do álbum, diga-se de passagem.

Puppet Parade é suja e cheia de um encanto melódico e refinado. Ainda assim, é inegável que segue a linha do que há de mais fino na discografia do Megadeth. Em contrapartida, Another Bad Day traz um refrão chicletoso, que combinaria mais com o Bon Jovi. Me desculpe.

Made To Kill abre com Dirk Verbeuren alucinadamente nas baquetas, mostrando-se um dos pontos altos do álbum. Mudanças ágeis de ritmo e solos incendiários marcam a faixa. Se, numa compilação futura, não estiver inclusa, cabeças irão rolar.

Obey The Call começa na primeira marcha até você ser arrematado, faltando um minuto para o final da faixa, por uma explosão de velocidade e um solo de guitarra absurdo. Como engataram a quinta marcha? Tem que ouvir de novo! Já ia escrever dizendo que a faixa é fraca — até esse momento. Surpreso? Estou!

I Am War entrega, talvez, uma das faixas menos plausíveis do disco. Um tapa-buraco que não é tapa-buraco ao mesmo tempo.

The Last Note é uma despedida digna de Mustaine, principalmente pela frase “Meu testamento final, meu desprezo”, acompanhada por um solo acústico ao fundo para fechar, em definitivo, a história do Megadeth.

“Eles me deram ouro
Eles me deram um nome
Mas cada acordo
Foi selado com sangue e chamas
Então aqui está meu último testamento
Meu testamento final, meu desprezo
Eu vim, eu governei, agora eu desapareço”

Mas a cereja do bolo é a versão de Ride The Lightning, lançada originalmente pelo Metallica. Uma jogada publicitária cínica? Pode ter sido. Mas a polêmica ficará aí, já que Dave foi um dos compositores originais. Qual versão é a melhor? Isso é assunto capaz de levantar cadeiras e fazer a pancadaria rolar solto.

Um final cheio de retrospectivas, com detalhes que remetem aos antigos trabalhos. Tudo que é bom chega ao fim, não é o que dizem? Podem torcer o nariz, mas a despedida de Mustaine está sendo feita do seu jeito. E, na real? Ele pode.

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