Melhores do ano internacionais por nosso colaborador Marcelo Scherer

Marcelo Scherer
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Marcelo Scherer. Crédito: Marcelo Scherer.

E lá se foi 2025. Deixou para trás ótimos álbuns — talvez não para aqueles que ainda teimam em viver do passado, mas, para aqueles que olham para frente em busca de novidades (ou nem tão novas assim), foi um ótimo ano.

Claro, selecionar apenas 10 álbuns para definir um ano com tanta variedade sonora e tantos lançamentos excelentes é sempre difícil; afinal, cada escolha é uma renúncia.

Ficaram para trás na minha lista tantos discos bons! Muitos deles já desfilaram por aqui na lista de melhores de nossos colaboradores, como a de Hayley Williams com seu “Ego Death at a Bachelorette Party”, essencial para entender o cenário musical atual, ou ainda os veteranos do The Lemonheads, que se reinventaram e entregaram “Love Chant”, um belo álbum. Exemplos não faltam, como Mac DeMarco, que se apresentará no país nos próximos meses, e seu “Guitar”. Ainda, os experientes The Charlatans UK com “We Are Love”, a nova safra do NewDad com “Altar”, Big Thief com “Double Infinity”, Blondshell com “If You Asked for a Picture” e Car Seat Headrest com seu “The Scholars”. Os “veteranérrimos” do Sparks surgiram com um álbum com uma sonoridade tão atual quanto a da nova geração com “MAD!” e, claro, a banda que levou 2025 como sendo a voz dessa geração, Geese e seu “Getting Killed”.

Eu poderia citar pelo menos mais uns 50 álbuns que ficaram de fora da minha lista. Como você pode perceber, não é tarefa fácil selecionar apenas 10, mas se estamos aqui é para isso.

10. Squid – “Cowards”

O vocalista e percussionista da banda, Ollie Judge, descreveu “Cowards” como “um livro de contos de fadas sombrios”. Vindos do Reino Unido, esse é o terceiro álbum do Squid, banda representante dessa década. Em Cowards, eles transitam pelo experimentalismo de notas dissonantes, sons intrincados e fragmentados, mas com ótimas melodias, sem perder o rumo musical contemporâneo, ora conversando com sons profundos, ora com pós-punk, mantendo a identidade única da própria banda..

09. Turnstile – “Neverenough”

Impossível ter passado por 2025 sem ter ouvido falar de Turnstile. A banda que revolucionou o hardcore punk em “Glow On” acelera ainda mais a transformação do estilo em “Neverenough”. Mesmo que ainda na mesma linha do álbum anterior, esse de 2025 conseguiu dar um passo à frente, adicionando inclusive disco em sua salada. Não há dúvidas de que essa é a banda mais quente do momento; motivos não faltam: riffs pesados, timbres atuais, um vocalista carismático e uma banda eficiente que transita pelo hardcore, mas não fica apenas nele.

08. Suede – “Antidepressants”

Chegamos aos nossos primeiros veteranos da lista. Conhecida também como The London Suede, a banda traz aquelas marcas deliciosas dos anos 90 ingleses. Melodias lindas, ora complexas, ora simples. Um disco coeso como sua história, encharcado em efeitos de ecos, riffs marcantes e um vocalista que apresenta o que precisa ser feito, sem firulas. Britpop de primeira que flerta com o melhor do glam rock.

07. fish narc – “frog song”

Criado entre o rap e o emo na cidade onde o grunge aconteceu, fish narc é o projeto de Benjamin Friars-Funkhouser, mas bebe muito na fonte do midwest-emo, com belas melodias e distorção na medida certa. Assim foi concebido seu quarto trabalho, “Frog Song”. Engana-se quem pensa que esse é mais um músico que teve a sorte de gravar um disco incrível por acaso. Friars, como mencionado no início, foi arquiteto fundamental do disco “Goth Angel Sinner” do falecido Lil Peep. Ficou curioso? Além de ouvir, você pode ler a resenha que fiz no Indie Rock Brasil sobre o “Frog Song” do fish narc.

06. zzzahara – “Spiral Your Way Out”

Junto com fish narc, zzzahara é a artista menos conhecida dessa lista. Uma pena, porque o que ela entregou em “Spiral Your Way Out” é digno de uma artista em ascensão. Ótima mistura de noise e melodias vocais pop que grudam na hora. Além de ser um álbum consistente, muito bem pensado em termos de tracklist, conta com uma voz que poucas têm em sua geração — não no sentido de grandiosidade, mas de personalidade.

05. Wednesday – “Bleeds”

Countrygaze. Sim, isso existe e aqui está um dos álbuns que mais representam o gênero. Aliás, que álbum! Aquelas guitarras etéreas já características do estilo com melodias do interior. Ok, você não vai ouvir Chris Stapleton com noise e sons oníricos; a mistura é muito mais suave, mas ela funciona bem. Prova disso é o “Bleeds” do Wednesday.

04. Deep Sea Diver – “Billboard Heart”

Mais uma grata surpresa advinda das novas gerações. Aqui o indie encontra o rock alternativo e a colisão dos gêneros funciona como em poucos momentos se viu no rock atual. “Billboard Heart” do Deep Sea Diver é daqueles discos intensos, profundos e com momentos energéticos, fazendo com que cada música do álbum seja uma descoberta musical positiva.

03. Wet Leg – “moisturizer”

A nova queridinha da geração Z, assim como Geese e Turnstile. E posso afirmar com toda certeza: uma banda que vai muito longe ainda, seja pela performance segura de sua vocalista, Rhian Teasdale, seja pela sonoridade que agrada a qualquer pessoa, mesmo que ela não seja apreciadora de rock. Letras que falam de anseios juvenis misturadas a belas melodias, uma pontinha de noise e performances que costumam enlouquecer as multidões. Disco obrigatório de 2025.

02. Doves – “Constellations For The Lonely”

Doves é daquelas bandas que, quando lançam algum disco, não fazem um estardalhaço. A mídia muitas vezes sequer lembra deles, mas é sem dúvida uma banda bastante consistente, tanto na qualidade de seus trabalhos quanto na quantidade. Essa possível invisibilidade midiática pode estar relacionada à época em que chegaram na cena, um momento onde o rock garageiro de Strokes e White Stripes dava as cartas. Mas posso garantir que é uma banda que deveria ter mais espaço e, se não se importar em começar de trás para frente, esse é um ótimo álbum para mergulhar na carreira da banda.

01. Pulp – “More”

Mesmo com essa safra incrível de bandas novas, não colocar o Pulp e o seu “More” no topo dessa lista seria uma eresia da minha parte. Isso porque Jarvis Cocker e sua tropa entregaram um disco digno de clássico. Se ainda não teve tempo de ouvir, vou te dizer: você está perdendo o melhor álbum do ano.o o melhor álbum do ano.

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