Promoções: Receba no seu whatsapp as melhores ofertas de CDs e LPs
Início - Yes – Perto da perfeição
Resenhas de Discos

Yes – Perto da perfeição

Julio Mauro
Julio Mauro
3 de janeiro de 2024 5 min de leitura
Yes – Perto da perfeição
Foto: Divulgação

Close to the Edge, lançado em 1972, não é apenas um álbum emblemático na discografia do Yes, mas também um marco no gênero do rock progressivo. O processo de criação deste álbum é um complexo mosaico de inovação, experimentação e expressão artística, exemplificando a ambição e o espírito criativo do início dos anos 70.

A concepção de Close to the Edge começou logo após o lançamento do álbum anterior do Yes, “Fragile”. Jon Anderson e Steve Howe, impulsionados por suas aspirações artísticas, começaram a esboçar ideias que desafiavam as convenções do rock. Eles buscavam uma fusão de influências: do rock clássico e jazz à música clássica e sons orientais, o que se refletiria nas complexas estruturas harmônicas e rítmicas do álbum.

Publicidade
[Espaço para Banner da Network]

As sessões de gravação, que ocorreram no Advision Studios, foram marcadas por um ambiente de experimentação. A faixa-título, Close to the Edge, ilustra isso de forma notável. Composta por múltiplas seções que fluem sem interrupção, a faixa apresenta uma complexidade incomparável, com mudanças de tempo, harmonias intrincadas e uma mistura de instrumentação eletrônica e acústica. A letra da música, inspirada no livro “Siddhartha” de Hermann Hesse, reflete uma jornada de autodescoberta e espiritualidade, um tema recorrente no trabalho do Yes.

O engenheiro de som Eddy Offord desempenhou um papel crucial, ajudando a orquestrar as ambiciosas visões da banda em realidade sonora. As técnicas de gravação eram avançadas para a época, com a banda empregando overdubs extensivos e experimentação com sintetizadores e efeitos de estúdio. Cada membro contribuía com suas habilidades distintas, desde os riffs de guitarra de Howe até os solos de teclado de Wakeman, o baixo melódico de Squire e a percussão complexa de Bruford.

A capa do álbum “Close to the Edge”, criada por Roger Dean para a banda Yes, representa uma abordagem visual distinta, marcada pela simplicidade e simbolismo. Ela se afasta das capas mais vibrantes e complexas normalmente associadas ao Yes, optando por um fundo predominantemente verde e uma estética mais abstrata e focada em padrões naturais. Este design reflete a complexidade e profundidade da música do álbum, que, apesar de tecnicamente elaborada, é apresentada de forma direta e sem excessos. Segundo o próprio Roger Dean, o verde predominante e os padrões orgânicos na capa simbolizam crescimento, renovação e uma conexão profunda com o natural e o espiritual, temas frequentemente explorados nas letras e na música do Yes.

Apesar de sua simplicidade relativa, a capa de “Close to the Edge” mantém um lugar significativo na história do design de capas de álbuns devido à sua abordagem única e ao fato de ser um trabalho de Roger Dean, cujas criações são altamente reconhecidas e valorizadas tanto por fãs de arte quanto de música. A capa continua a ser um elemento visual icônico para os fãs do Yes e do gênero rock progressivo.

Publicidade
[Espaço para Banner da Network]

Apesar de sua complexidade e inovação, Close to the Edge alcançou um sucesso comercial significativo, solidificando a reputação do Yes. A resposta crítica foi igualmente positiva, com muitos considerando o álbum não apenas o auge da banda, mas também um dos álbuns mais influentes do rock progressivo.

Curiosidades

Bill Bruford deixou o Yes para se juntar ao King Crimson logo após a conclusão do álbum, um testemunho das tensões criativas e do desejo de exploração musical.

Close to the Edge foi um dos primeiros álbuns a ser lançado em uma capa de gatefold, que se abria como um livro, oferecendo aos fãs uma experiência visual mais imersiva. O álbum influenciou gerações de músicos e bandas, estendendo-se além do rock progressivo para outros gêneros musicais.

Uma curiosidade é a forma que as músicas desse disco são definidas. Apesar se ter a indicação de apenas 3 faixas, as duas primeiras são divididas em 4 movimentos cada.

  • 1 – Close to the Edge
    • I. The Solid Time of Change
    • II. Total Mass Retain
    • III. I Get Up I Get Down
    • IV. Seasons of Man
  • 2 – And You and I
    • I. Cord of Life
    • II. Eclipse
    • III. The Preacher the Teacher
    • IV. Apocalypse
  • 3 – Siberian Khatru

A turnê de Close to the Edge foi uma das mais ambiciosas da época, com a banda replicando as complexidades do álbum ao vivo, um feito raramente tentado por outras bandas.Close to the Edge permanece como um testemunho da criatividade e do espírito inovador do Yes, uma cápsula do tempo da era dourada do rock progressivo, e um legado duradouro na história da música. Uma obra-prima sem dúvidas

Compartilhe esta matéria:

Relacionados

2 Comentários

Julio Mauro
Julio Mauro 29/10/2025

Fala igor… mas isso que é o legal, cada um tem o seu preferido, mas no fim o bom mesmo é ouvir Yes sempre 🙂 Valeu pelo comentário

Igor Maxwel
Igor Maxwel 28/10/2025

Disco superestimadíssimo do Yes (gravado em meio a uma guerra de egos entre o talentoso/contraditório baterista Bill Bruford e o resto da banda) ainda está muito longe de ser o que muitos ainda dizem a seu respeito, mesmo depois de seus 50 e poucos anos de lançamento. Mas felizmente, o Yes possui (pro meu gosto) outros discos muito melhores do que Close to the Edge em sua discografia, isso sim está certo…

Participe da discussão

Seu comentário será analisado pela nossa equipe antes de ser publicado.