Ringo Starr entrega Long Long Road, seu 22º álbum de estúdio. Com pouco mais de um ano desde o lançamento de Look Up, o músico segue uma linha semelhante à de seu antecessor.
Apesar de toda a sua história e importância, fica o questionamento: ainda precisamos ouvir algo novo de Ringo?
Há uma tendência inevitável de absorvermos opiniões prontas sobre certos músicos, seja de críticos renomados ou até de “críticos” de sites especializados na internet, como o AOTY, que muitas vezes prefere destilar veneno em vez de apresentar argumentos consistentes.
É fato que, ao longo dos anos, Ringo Starr construiu uma imagem popular muito específica: a do baterista brincalhão, quase ingênuo, frequentemente alvo da piada de que “nem é o melhor baterista dos Beatles”.
Aliás, o próprio Ringo Starr contribuiu para essa construção. Entre declarações de “paz e amor” e músicas como “Octopus’s Garden”, ele sempre pareceu confortável nesse papel. E talvez seja justamente isso que o público espera. É nessa versão mais leve que seu carisma e senso de diversão atingem o auge.
Esse espírito já estava presente em Look Up, álbum produzido por T-Bone Burnett, que abandonava um som mais pesado em favor de uma abordagem mais solta, com influências de country e música de raiz. A parceria funcionou tão bem que agora se estende em Long Long Road.
Mais voltado para um country pop maduro, o novo disco apresenta uma paleta sonora variada. Vai das nuances blues de She’s Gone até Choose Love, que funciona como uma homenagem direta aos The Beatles. O resultado é um trabalho essencialmente emotivo e, aos 85 anos, Ringo segue em plena atividade.
Com músicos como David Mansfield, Daniel Tashian e Patrick Warren, além das participações de Billy Strings e Sarah Jarosz, o álbum se apresenta como uma experiência honesta e prazerosa. Não há aqui a ambição de soar grandioso ou revolucionário, mas sim de valorizar a introspecção e revelar um lado mais reflexivo do artista.
Os vocais de Ringo Starr também mantêm seu calor característico. Mesmo com limitações naturais de extensão, sua interpretação segue sincera e expressiva, perceptível em cada frase.
Long Long Road pode não alcançar o mesmo patamar de Look Up. Ainda assim, mantém uma consistência sólida. Em muitos aspectos, pode ser considerado um dos momentos mais interessantes de sua fase recente.
No fim, Ringo Starr se reafirma em sua totalidade, mostrando que está longe de ser apenas um coadjuvante. E, talvez, já seja hora de deixar certas piadas escorrerem pelo ralo.



