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Hold Your Fire, o álbum do Rush que dividiu opiniões e merece uma nova escuta

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Rush Hold Your Fire
Foto: Rush Hold Your Fire

Lançado em 8 de setembro de 1987, Hold Your Fire, 12º álbum de estúdio do Rush, costuma aparecer entre os trabalhos menos valorizados da banda. Na época, o disco dividiu opiniões entre os fãs e também marcou uma fase em que o trio canadense começava a se afastar do reconhecimento comercial obtido com seus trabalhos anteriores.

Ao longo da carreira, Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart nunca tiveram medo de incorporar novas tendências ao som do Rush. A banda passou do rock pesado e progressivo dos anos 1970 para uma abordagem cada vez mais sofisticada nos anos 1980, incorporando sintetizadores, novas técnicas de produção e estruturas influenciadas pela música pop sem abandonar o virtuosismo instrumental.

Hold Your Fire representa justamente esse período de transformação. O álbum não possui a mesma consistência de obras como Moving Pictures, 2112 ou Hemispheres, mas apresenta algumas das características mais interessantes da fase oitentista do grupo.

Um dos principais exemplos é “Time Stand Still”, primeiro single do disco e uma das composições mais acessíveis da banda naquele período. A música chegou ao terceiro lugar da parada Mainstream Rock da Billboard e contou com a participação vocal de Aimee Mann, algo incomum na história do Rush. A guitarra de Lifeson, os baixos de Lee e o arranjo cuidadosamente construído por trás da melodia mostram como o trio conseguia trabalhar dentro de uma estrutura mais pop sem abrir mão da identidade musical.

“Prime Mover” também merece atenção. A combinação de sintetizadores, guitarras e uma base rítmica precisa aproxima a faixa de algumas tendências do rock produzido na segunda metade dos anos 1980. A guitarra de Lifeson, em determinados momentos, lembra a abordagem adotada pelo Yes em “Owner of a Lonely Heart”, enquanto Lee explora uma sonoridade mais contida e menos agressiva do que em seus primeiros anos.

Nem tudo funciona com a mesma eficiência. O próprio Geddy Lee posteriormente demonstrou pouco entusiasmo por algumas escolhas do álbum. Em entrevista à revista Blender, em 2009, o músico citou “Tai Shan” como um exemplo de composição que o Rush provavelmente deveria ter reconsiderado.

A crítica de Lee ajuda a explicar por que Hold Your Fire não costuma ser colocado ao lado dos grandes clássicos da banda. Algumas soluções sonoras envelheceram mal, especialmente o uso de determinados sintetizadores, enquanto “Tai Shan” continua sendo uma das faixas mais controversas do repertório do grupo.

Ainda assim, reduzir o álbum a seus momentos mais fracos significa ignorar o que ele representa dentro da trajetória do Rush. Hold Your Fire documenta uma banda tentando encontrar novas maneiras de trabalhar com tecnologia, arranjos mais elaborados e estruturas mais diretas, em um período no qual o rock passava por mudanças profundas.

Talvez seja justamente por isso que o disco mereça uma nova escuta. Não é um álbum perfeito e tampouco precisa ser colocado artificialmente no mesmo patamar de Moving Pictures. Seu valor está em mostrar um Rush disposto a experimentar, mesmo quando algumas dessas experiências não funcionaram completamente.

Em “Prime Mover”, Neil Peart escreveu que “o objetivo da viagem é não chegar”. Para Hold Your Fire, a frase funciona quase como uma síntese. O álbum pode não representar o ponto mais alto da discografia do Rush, mas registra uma etapa importante de uma banda que preferiu continuar avançando a simplesmente repetir uma fórmula que já havia dado certo.

Leia mais: Rock Rush
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