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Ash – Ad Astra: o power pop persistente de uma banda fiel a si mesma

Virgilio Migliavacca
Virgilio Migliavacca
3 de novembro de 2025 5 min de leitura
Capa de Ad Astra do Ash.
Foto: Divulgação

No último dia 3 de outubro foi lançado Ad Astra, nono álbum da banda norte-irlandesa Ash. O disco, sucessor do bom Race The Night (2023), conta com 12 faixas, e foi produzido pelo vocalista e guitarrista Tim Wheeler.

O Ash ganhou notoriedade na segunda metade dos 1990, em meio a febre do Britpop. Seu power pop de guitarras distorcidas e melodias ensolaradas, diferente de seus conterrâneos britânicos, era mais frequentemente associado ao pop punk americano, e em especial ao som do Weezer. O grupo chegou a arriscar com o uso de sintetizadores, no intuito de modernizar sua sonoridade, sem ter encontrado apoio de público e crítica, o que fez com que fosse anunciado um hiato.

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Passado o período de inatividade, a banda retomou os trabalhos em 2015, com Kablammo! (lar da divertidíssima Go! Fight! Win!) e, de lá para cá, tem mantido uma sequência frequente e consistente de lançamentos (interrompida apenas durante a pandemia).

Após o retorno, o Ash voltou também a fórmula de sucesso dos primeiros trabalhos. O já citado álbum de 2023 rendeu boas críticas, e solidificou o bom momento da banda, com aumento do número de execuções nas plataformas, culminando em uma exitosa turnê. Tudo isso, é claro, dentro dos parâmetros de uma banda que sempre foi alternativa, com circuito mais restrito aos países europeus. Segundo entrevistas recentes de Tom Wheeler, o plano era retornar as experimentações com sintetizadores do passado, decisão abortada por conta da boa recepção ao trabalho.

O que nos leva a Ad Astra. O álbum inicia com uma versão aditivada de Zarathustra (famosa pela sua inclusão em 2001 – Uma Odisseia no espaço), que dialoga diretamente com o trabalho gráfico do disco, com o trio formado por Wheeler, mais o baixista Mark Hamilton e o baterista Rick McMurray usando roupas de astronauta, bem como com o conteúdo de algumas das letras. Logo em seguida, Which One Do You Want apresenta uma bem vinda influência do jangle pop e das guitarras limpas de Johnny Marr no The Smiths, referência não tão comum no trabalho do Ash. Apesar disso, o que se vê em boa parte das músicas, como Keep Dreaming, é a já clássica fórmula de guitarras altas, melodias cativantes e uma energia despretensiosa.

foto de Andy Willsher

Ad Astra conta com a participação especial de Graham Coxon (do Blur) em duas faixas: na extremamente pop Fun People (apenas nos vocais) e em um solo de guitarra na faixa-título, já no encerramento do álbum. A primeira, assim como uma versão meio despropositada do calipso(!) Jump In The Line (mais conhecida pela versão gravada pelo cantor americano Harry Belafonte, em 1961) mostram que o Ash, assim como o já citado Weezer, é daquelas bandas que parecem funcionar melhor quando não tentam mudar demais.

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Talvez estas faixas funcionassem melhor se incluídas como bônus de uma posterior versão deluxe de Ad Astra (expediente comum no mercado fonográfico atual). Em meio ao tracklist, apenas atrapalham a fluidez de um trabalho que poderia ser levemente mais enxuto.

Mas, no âmbito geral, o novo disco reforça o que se espera de Ash: um power pop consistente e divertido, com algumas boas surpresas escondidas e eventuais tropeços em suas tentativas de variar a fórmula. Nada revolucionário, mas certamente um lançamento que vale a audição — especialmente para quem já acompanha a banda desde os anos 90.

Ouça abaixo “Ad Astra” do Ash

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