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Carly Simon retorna com “Comes in Waves”, um disco sobre memória, perdas e recomeços

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Carly Simon - Comes in Waves Foto: Reprodução
Foto: Carly Simon – Comes in Waves Foto: Reprodução

Carly Simon dá as caras após 18 anos sem lançar um álbum de músicas inéditas. Comes in Waves, seu 24º trabalho de estúdio, e aos 83 anos, mostra a transformação de Carly em meio a memórias, perdas, relações familiares e a passagem do tempo. Abordando estes assunto, nos é entregue um álbum intimista, que revisita temas recorrentes de sua carreira sem parecer algo nostálgico.

Gravado em sua casa, em Martha’s Vineyard, sua composição dá um tom reservado, como se fosse uma conversa particular transformada em cações. Além de tudo, o trabalho foi produzido durante o período marcado pelo diagnóstico de Parkinson e por uma batalha contra o câncer de pele. Apesar desse diagnóstico ruim, Comes In Waves não soa como uma despedida e sim como uma vontade de criar olhando para a vida de modo significante.

Combinando soft rock, folk, pop e arranjos orquestrais, é mais assustador perceber que a voz de Carly Simon continua a mesma de clássicos como Nobody Does It Better. O disco ainda abre espaço para bateria eletrônica e sintetizadores, que você pega em Peaches, além da atmosfera good vibes contemplativa de Slowly com a participação de Andreas Vollenwider.

Love Has No Ending e Mother Of Pearl segue o tradicional com a Carly Simon agarrando o ponto alto da interpretação de todo o disco.

Maybe I Never Loved You é interessante já que revisita o relacionamento de Carly Simon com James Taylor. Não é um acerto de contas, mas um questionamento do que realmente existiu e o que permaneceu. Mother Pearl é voltada para a filha Sally Taylor e The Father-Daughter Dance uma homenagem à seu pai, falecido quando ela ainda era adolescente.

Judy Belushi, falecida em 2024 e esposa de John Belushi, assina a faixa Four In The Morning, trazendo mais um momento intimista para o disco. O desabafo pesado como um convite para colocar os sentimentos para fora incorpora a atmosfera de Howl. Em Love The Way I Do reforça a capacidade de Carly em transformar as experiências pessoas em canções acessívels e emocionalmente precisas.

Apesar de toda essa riqueza sentimental e pelo peso de ser quem Carly é, traz pequenos trechos dos arranjos convencionais até demais. Contudo, mesmo com esses pequenos pontinhos incômodos não apaga o fato de que não há um interesse em provar algo além de registrar o momento de Carly.

Carly Simon olha para trás na sua fase atual procurando uma forma de compreender. Em meio à amores, luto, alegria, perda e criatividade que vem como ondas, ela não repete o seu passado. Ela acrescenta um capítulo que atravessa mais de seis décadas à uma das principais vozes da música.

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