Deep Purple estoura barreiras etárias em seu 24º álbum. Confira “SPLAT!”
O Deep Purple é a prova viva de que os dinossauros, ou os resquícios de uma era grandiosa, ainda continuam entre nós. E com toda a potência.
Contando apenas com Roger Glover, Ian Gillan e Ian Paice das formações poderosas, das inúmeras que o Deep Purple já teve, este é o segundo trabalho da banda a contar com Simon McBride assumindo o posto que já foi de Ritchie Blackmore, Tommy Bolin e Steve Morse.
Don Airey, que está na banda desde a época de Bananas, de 2003, continua ocupando com maestria o lugar do saudoso Jon Lord.
Descrito pela banda como “o álbum mais pesado do Deep Purple em muitos anos”, SPLAT! consegue, sim, ser uma gigantesca aproximação sonora explosiva da banda. Se vocês querem toda a maestria dos teclados na junção com guitarras bem trabalhadas, é exatamente isso que terão.
Em 2024, com =1, a banda surpreendeu antes do anúncio da perda de visão de Ian Gillan. Vamos lá: os membros, com exceção de McBride, estão na casa dos 80 anos ou beirando essa marca. Mas isso não os impede de construir uma parede sonora digna da década de 1970.
A banda já partiu para a ignorância com os singles Arrogant Boy, Diablo e Guilt Trippin‘, nos dando aquela sensação de que “os velhos estão melhores”. Sem o saudosismo de integrantes de épocas passadas da banda, esta é uma nova fase, e talvez seja até melhor não ter a presença de Ritchie Blackmore. Talvez o trabalho nem saísse. Aqui, o disco flui magistralmente.
O peso da bateria de Ian Paice continua impressionante, os grooves de Roger Glover estão perfeitos, a voz de Ian Gillan está mais rica, Don Airey é um deleite que faz Jon Lord levantar de sua nuvem e aplaudir de pé, e McBride sabe exatamente qual é o seu papel na banda, sem precisar se parecer com nenhum dos outros três guitarristas, que, aliás, cada um possuía sua própria linguagem.
Dito isso, as técnicas refinadas e o dinamismo do grupo, apresentados em 13 faixas enxutas e diretas, quase todas com menos de cinco minutos, mostram que a força do Deep Purple ainda está presente sob os músculos envelhecidos de cada integrante. A energia de In Rock e Fireball continua lá, agora com uma abordagem mais moderna e, talvez, mais acessível.
Ponto positivo para Bob Ezrin como produtor, que lapidou as ideias e tem sido uma peça fundamental na revitalização do Deep Purple.
Não há um conceito definido. São composições diretas, momentos marcantes e performances de alto nível. SPLAT! é um exercício nostálgico e criativo, somado ao vigor surpreendente de uma banda que se aproxima de seu 60º aniversário, mas mantém a alma de 30. E, pelo que tudo indica, segundo Paice, a banda já planeja colocar o pé no freio das turnês e focar em um novo álbum.
O dinossauro está mais vivo do que nunca. E isso é ótimo! Vida longa ao Deep Purple.


